
Rodovia Rio-Teresópolis, 08 de julho de 2010. Ivette dirige sozinha, conversando consigo mesma, em sua cabeça. - 12:34.
"_Neblina... neblina... neblina... Só neblina..." (sente-se incomodada). "_Coisa estranha..." (puxa um cigarro). "_Sensação estranha..." (aciona o isqueiro, nervosa).
12: 41.
"_Ah, qual é?! Qual foi?!... (respira forte). Eu amo isso!... Eu sempre amei isso: dirigir, estar só, correr perigo!... Conversar comigo mesma, na minha cabeça!... Sempre amei o frio, o inverno, a neblina!... Posso correr na velocidade que eu quiser, a mais alta!... Tá vendo?! Eu tô a 110!... 110 no meu Porsche branco, 2010, lindo, maravilhoso, que eu amo!... Vestida de branco... pronta pra morrer!... Ahahahahaha!!!... Aaai!... Eu rio disso!..."
"_Qual é Ivette?... 'Qual foi?... Por que que tu tá nessa?' (bafora já o segundo cigarro) Diz meu Tiririca interior... Que piada!... Sei lá!... Não sei se tô bem. Não sei se tô mal. Não sei se me espera a morte. Não sei se vou morrer hoje... ou amanhã. Só sei que sinto essa... (não consegue definir) coisa estranha!.. Essa excitação. Essa ansiedade não sei com quê!... Ai! Sai! Xô! Sai, coisa estranha!.."
"_A estrada se abre enevoada diante de mim e eu não tenho medo... Ahahahaha!!! Não tenho medo e ainda faço poesia! Não tenho medo de morrer agora. Como sempre foi. Como sempre fui! Como sempre serei!... (dá uma tragada no cigarro e cala a mente por quase dez segundos. Em seguida, volta a grilar.) Mas por que eu me preocupo com o que vem depois da neblina?... Eu sei o que vem depois: Teresópolis! Estou aqui na Rio-Teresópolis, às 12:57, quase uma da tarde, indo para Teresópolis, cidade que amo, que conheço muito bem, apesar ser nascida em Blumenau, minha terra querida, que deixei pra trás porque sempre quis correr, porque sempre quis viajar, porque sempre fui má, sempre fui uma menina má, uma má filha, uma má aluna, que queria estudar mas não queria casar, que queria o bandido e não o príncipe, às vezes nem o bandido, às vezes tudo, às vezes nada, às vezes ninguém, às vezes só a mim mesma, às vezes nem mim mesma, Aaaaaahhh!.... Hummmrrrr-aff-aaarrr... Sei lá!... Sei lá, tá!... Sei lá!.."
"_Esquece! Esquece Ivette!... Logo-logo Teresópolis vem. Aparece na tua frente como uma assombração: linda e maravilhosa! Mágica!..."
ta chegando sim...
ResponderExcluirmuito boa a ideia de um folhetim on-line...
boa sorte talento vc tem.
FMello
Gostei do Blog e vc sabe que do seus textos sempre achei eles interessante, Mas acho que o blog precisa de um pouco de cores mais alegres, assim como também na vida dessa vapirinha. Belesa. Um abraço.
ResponderExcluirbom início. me pareceu bem interessante o romance. não tenha dúvidas que vou acompanhar... a propósito, e aquela novela? por que não blogas também depois desse trabalho?
ResponderExcluirabraços!!!
Muito bom. Lendo o início do romance, achei muito envolvente. O que aguça-me a vontade de continuar! Parabéns meu amigo!
ResponderExcluirAbraços!