quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

VINARS



























Nosso destino em Kolozsvár era o palacete de Béla Blaskó, um banqueiro amigo de meu pai. Ele nos recebeu muito hospitaleiramente, como de costume.
_Petrache! Emil! _gritou ele a dois jovens criados, que logo apareceram correndo _Levem a bagagem de meus hóspedes para os dois quartos que já estão preparados lá em cima.
Os dois rapazes menearam positivamente com a cabeça e prontamente carregaram nossa arca escada acima. Em seguida, Béla gritou à sua criada preferida:
_Annika!
_Sim, meu senhor! _chegou ela correndo, limpando as mãos no avental.
_Prepara um banho para Jozsef e sua família!
_É pra já, senhor! _e correu sorrindo, como se fizesse aquilo com grande satisfação.
Béla era um judeu convertido. Viuvo, sua esposa morrera quatro anos antes e, sendo ela nobre, ele herdara terras e um pequeno solar nas proximidades de Kolozsvár. O palacete fora fruto de seus negócios. Não apenas por conta do que herdara, mas também por agora viver cercado de jovens criadas, Béla parecia bem feliz com a morte da esposa.
Enquanto esperávamos a preparação do banho, sentamos na sala e outra criada já nos trouxe uma pequena bacia com água para lavarmos as mãos. Trouxe também um jarro com água e copos para matarmos a sede. Sedenta, peguei o copo com as duas mãos e bebi a água, deixando-a cair um pouco em meu vestido. Mamãe, como de costume, me repreendeu:
_Cuidado, Irina! Olhe os modos! _e começou a enxugar meu vestido com a toalhinha que a criada trouxera.
_Calma, Eva! _intercedeu Béla, sorrindo _Suas roupas serão bem lavadas aqui.
Mamãe limitou-se a olhá-lo com cara feia, pois conhecia muito bem o espírito galanteador e nada escrupuloso do banqueiro. Por sua vez, ele e papai ainda começaram a travar uma pequena conversa, antes que Annika aparecesse anunciando:
_O banho está pronto.
Béla possuía uma pequena, porém bela piscina de água quente. Tiramos nossas roupas e mergulhamos. Papai, como de costume, mergulhou logo a cabeça na água e, ao erguê-la, escorrendo a água do rosto com as mãos, soltou um gemido de alívio:
_Oooohr...
Enquanto mamãe se ocupava em lavar meus cabelos, uma criada lavava os dela. O cheiro do sândalo inebriava a sala. Mila, já uma mocinha de treze anos, lavava os cabelos de Vladia, então com doze. Nicolae, já um rapagão de quinze anos, bulia com Mihail, então com nove, mergulhando sua cabeça na água, rindo, como se quisesse afogá-lo.
_Pare com isso, Nicolae! _ralhou mamãe.
O pobre Mihail ergueu a cabeça, tomando fôlego, enquanto mamãe escorria a água de seu rosto com a mão. Papai se limitava a rir. Uma vez estabelecida a ordem, mamãe sentou-se à beira da piscina. Apoiou-se nas palmas das mãos, jogou os longos cabelos castanhos para trás, pingando água. Fechou então os olhos, relaxando, enquanto uma criada começou imediatamente a ensaboá-la. Mamãe era uma mulher bonita, alta e de corpo bem feito, que chamava muito a atenção. Ela tinha quadris largos, um traseiro generoso e belas e grossas pernas. Eu e minhas irmãs herdamos sua bela estrutura. Ao ensaboar suas pernas, notei que a criada se detinha em olhar seu sexo de pelos castanhos, quase ruivos. Não demorou para que ela começasse a ensaboar a vulva de mamãe, esfregando-a quase como se a masturbasse. Mamãe, por sua vez, permanecia de olhos fechados, deixando a cabeça pender, suavemente, de um lado para o outro, numa languidez quase lasciva.
Papai olhava tudo com um sorriso malicioso no rosto. Quase instintivamente olhei para a água e pude ver seu membro ereto, submerso. Papai tinha um bom dote e as criadas soltavam risinhos e apontavam admiradas. Quando a criada que ensaboava mamãe, jogou água sobre suas coxas, papai, como um moleque, meteu a mão em sua vulva e começou a masturbá-la com força. Mamãe assustou-se e jogou sua mão ladina do meio das pernas, censurando-o raivosamente:
_Safado!...
Eu e meus irmãos rimos muito. Mas a hora de brincadeiras logo acabou e não tardou para que mamãe estivesse mais uma vez ajustando-me o espartilho, momento que parecia sempre uma tortura para mim:
_Tá apertado, mãe!... _choramingava eu.
_Não te mexe, Irina! Assim não ajusto aqui! Pare de se queixar, se queres aprender a ser bonita, tens de aprender a sofrer.
Vladia e Mila, já com os espartilhos apertados, se olhavam no espelho.
Os esforços de mamãe para me educar eram grandes, na mesa, durante a refeição, eu meti a mão no pedaço de carneiro assado em meu prato.
_Irina, coma com os talheres! _ralhou ela, olhando meu rosto já lambuzado de gordura.
_Deixa a menininha se refestelar! _riu-se Béla, com uma taça de vinars na mão.
Papai, virou sua taça nos lábios e depois comentou rindo-se:
_Irina tem a voracidade de seus ancestrais!
Por sua vez, Nicolae, ainda que comendo com os talheres, não era menos bárbaro, mastigando o carneiro com a boca aberta, a carne a cair-lhe pelo canto dos lábios. Vendo o tom vermelho e translúcido do vinars, desejei experimentá-lo:
_Eu quero papai! _roguei manhosa, saltando de minha cadeira.
Papai então virou delicadamente a taça de vinars em meus lábios. O sabor fortemente alcoólico me fez fechar os olhos numa careta. Mamãe interveio:
_Ela ainda não tem idade para tomar vinars, apenas sangria. Venha cá, Irina, estou adoçando esta taça de vinho com açucar. _seduziu mamãe, sabendo aque eu adorava açúcar.
Corri até ela soltando um gritinho de excitação. Tomei a taça com as duas mãozinhas e a virei nos lábios. O vinho adoçado, diluído em água, ainda era a coisa mais forte que eu conseguia tomar naquele momento. Muito diferente de hoje, onde meu paladar tolera, sem problemas, um sabor ferroso e impregnante.

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