sábado, 15 de janeiro de 2011

UMA DESCOBERTA CHEIRANDO A SANGUE

























Elizabeth Báthory



No carro, pensando no próximo passo.

_Bom, já que a mulher tem quinhentos anos mesmo, temos agora que descobrir o que ela escreve nesses diários. _ instiga Ivette.
_Mas primeiro a gente tem que saber que diabo de língua ela fala. _lembra Gabriel.
_Tem alguma idéia de como a gente começa? A gente ainda tem esse resto de sábado e o domingo pra fazer isso. _lembra Ivette.
_Já sim. Vamo pro meu apartamento, a gente acessa o Google. _ resolve ele.
_Não precisa, eu sempre ando com meu notebook e meu modem. _rebate ela.
_Calma, mulher, não vou te atacar não!... _reclama ele.

Em uma calma lanchonete à beira da estrada, comendo misto-quente e tomando capuccino.

_Bom, vamo pôr aqui o sobrenome dela e ver o que aparece... _começa ele.
Ivette toma um gole do capuccino e se queixa:
_Ah, que vontade de fumar!... Merda de lei!...
_Pô-ta-ques-pareu!!!... Não pode ser!... _se impressiona ele.
_Que foi? _se alarma ela.
_Olha onde eu encontrei o sobrenome dela...
_Ah, não!... _pasma ela pondo os dedos de unhas longas na testa. _Mas isso é o verbete da Wikipédia... sobre a Elizabeth Báthory!....
_Humrum!... _confirma ele. _E pelo que vemos aqui, nossa amiguinha é nobre e parenta bem próxima da condessa sangrenta.
_Ai, meu Deus!... Diz que isso não é uma ironia, diz!...

No carro novamente.

_Fica fria! Já sabemos que ela deve ter escrito em romeno, ou húngaro, que é o mais provável. Resta agora traduzir. _se anima ele.
_E você conhece algum tradutor de húngaro? E um tradutor muito bom, porque ela deve ter escrito tudo em húngaro medieval, vai ver!... _se estressa ela.
_O pior, minha cara, é que eu conheço!... Ahahahaha!!!...
_Quem! _se espanta ela.
_Dona Ornella!... Ornella Lotman. Ela trabalhou muitos anos na UFF, como especialista em línguas urálicas. Ela é da Estônia. Veio pro Brasil ainda criança, porque a família dela fugiu da ditadura do Stalin.
_Nossa!... _se impressiona Ivette.
_Já tá aposentada. Vive tranquilamente em Niterói. Deve tá com 80 anos, mas tá bem lúcida, te asseguro!...
_Como conheceu ela?
_Numa palestra que ela deu em 97, quando eu ainda tava no segundo período.
_Eu não lembro dela... Eu não perdia uma palestra.
_Acorda mulher! Lembra que tua turma entrou depois da minha.
_Ah... claro! Disfarça! Tô ficando é doida já...
_Normal!... O importante é que eu fiz amizade com ela. Sempre dava um jeito de conversar um pouquinho com ela, quando a encontrava na cantina.
_Eu já vi essa mulher?
_Talvez já. O problema é que ela se aposentou em 98. Tiveste pouca chance de topar com ela.
_E quando a gente vai na casa dela? Já foi lá?...
_Já! Logo quando eu a conheci. Fomos lá eu, o Marcos, o André e a Sheila. A gente queria que ela nos ajudasse numa apresentação de História Antiga, sobre os hebreus. E como ela é judia...
_Sei...


Ilustração: Erzsébet Báthory, em retrato do final do século XVI.

Um comentário:

  1. acompanhando com interesse... sabe o que me lembrou agora a tua escrita, os romances do Marcos Rey. Ele tinha muito essa verve policial... essa atmosfera de suspense, mistério...agora Irina, está me seduzindo rsss...

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