
No dia seguinte, sozinha na casa, conversando consigo mesma, em sua cabeça.
"_Ai, essa casa me dá arrepios!... Mas vamos verificar se ela tá em dias... O Antônio me assegurou que deixou tudo "nos trinques". É engraçado, não sou de ter medo do sobrenatural. Pelo menos deixei disso com 13 anos, quando parei de achar que aquela boneca de pano filha da puta ia me matar de noite. Ahahahaha... Foi legal esquartejar ela com a tesoura da mamãe, depois que flagrei o veado do Arnaldo com a puta da Rebeca. Fiz de conta que era a Rebeca, houahouahoua!!!... Mas deixa eu abrir esse porcaria... Qual é a chave, meu Deus?... Deixa eu ver essa aqui... É ela!"
No quarto.
"_É... o resto dela tá bem... Se Teresópolis não fosse fria, eu já tava suando, tanto que rodei por esta casa velha. Vamo ver agora esse quarto... Parece ser o quarto principal, o quarto da vampira, houahouahoua!!!... Vamos lá, Ivette, você abre a porta... Ela não range, sinal de que Antônio mandou passar óleo no ferrolho de todas as portas, quebrando a graça da casa assombrada... Huummm!!!... Que quarto lindo!... Cama com dossel... cortinas bordadas!... Meu Deus!... Que fofo!... Tudo branco como um conto de fadas!... Um quarto de princesa!... Vamos entrar nele e apreciá-lo!... Criado mudo de pelo menos cem anos, em madeira de lei. Huumm!... Limpíssimo e encerado!... Antônio, você é perfeito!... Uma linda e imensa cópia de Renoir na parede... Hummm... uma porta secreta! Vamos ver o que ela esconde... Sim... Parece um closet... que esconde esse baú de pirata aqui dentro... E o que é aquilo ali, coberto com aquele lençol cor de vinho, quase marrom de tão velho e empoeirado?... Vamo ver!..."
Surpresa e silêncio... Fechada na moldura de um quadro muito antigo, de tinta rachada, uma jovem ruiva, de semblante sério a mira nos olhos. Ivette a encara em silêncio, por fim, exclama um pensamento:
"_Que coisa tétrica!..."
Toca então na tela, com cuidado, confirmando sua antiguidade.
"_Meu Deus... esse quadro deve ter uns quinhentos anos!..."
Confronta o olhar da moça e brinca:
" _Quem é essa mulher?... (solta um leve riso). Vai ver que é a própria Irina?... (Fecha novamente o semblante). Nem eu gostei da piada... (Conclui. Em seguida, cobre de novo o quadro com o lençol)".
Toca então na tela, com cuidado, confirmando sua antiguidade.
"_Meu Deus... esse quadro deve ter uns quinhentos anos!..."
Confronta o olhar da moça e brinca:
" _Quem é essa mulher?... (solta um leve riso). Vai ver que é a própria Irina?... (Fecha novamente o semblante). Nem eu gostei da piada... (Conclui. Em seguida, cobre de novo o quadro com o lençol)".
Voltando-se para outro foco de atenção...
"_E aquela porta ali?... (se anima) Vamos lá abri-la... Uuuuuuh!... Atravessamos o closet onde a vampira esconde seu baú secreto... Vamos abrir a porta e... Oooooohh!!!... Isso é que é um banheiro!... Um imenso espelho oval, com uma muito linda armação em madeira laqueada, branca, pronta para espirrar sangue... Houahouahoua!!!... Ivette, você não presta!... Bidê e vaso sanitário dignos de bundas reais e... (abre uma cortina branca, quase transparente, de plástico) Não acredito!... É isso mesmo!... Uma linda e maravilhosa banheira branca!... Com torneiras finamente trabalhadas, banhadas à ouro!... Lindo!... Aaaaaiiii... e esse basculantezinho redondo... fofo!..."
De volta ao closet.
"_Vamos ver agora o que a Elizabeth Báthory esconde nesse baú de pirata... Aaaahhh!!!... Até que enfim, esse range!.... Huahuahua!!!... Vejamos... esse lençol velho, vermelho carmesim e estampado de forma nobre, que já deve ter sido lindo, antes de se desbotar e puir... Vamos ver o que há debaixo dele... Huumm... Um abajur quebrado, um par de sapatos Yves Saint Laurent, pretos, número 38, estando um deles com o salto Luís XV quebrado... Essa mulher era chic mesmo!... Deixa ver... jornais velhos... revistas... Veja, Machete... hummm, Manchte, Manchete, muita Manchete... Elle!... Uwuuuh!... Originais! Francesas!... 1980, 81, 82... (folheia algumas, interessada, depois as joga de lado). Talões de cheque usados, Citibank... hummm... 1978, 1979, 1980... Vários cartões American Express, há muito vencidos, um cartão do Gallery Club, pra variar... Mais jornais velhos e... O que é isso?... Parece uma agenda... (vê, limpa, abre, folheia e lê rapidamente). Quê isso que tá escrito aqui, meu Deus!... (uma caligrafia um tanto rebuscada, grafa palavras ininteligíveis). Tem outros dois, logo embaixo... (pega um livro antigo, um pouco mais grosso, com capa de couro) Um diário?!... (folheia). Meu Deus, deve ter mais de cem anos!... E este maior aqui, fechado à fivela... Parece uma Bíblia... Ei!... Isso é uma relíquia!... Pelo acabamento do couro, pelo estado desse papel... isso deve ter uns quinhentos anos!... Será que essa mulher era antiquária?... Se formou em História que nem eu?... A casa antiga, os móveis, os objetos, aquele quadro bizarro... Bom, vamos ver primeiro essa agenda dela aqui..."
Bisbilhotando os diários.
"_Bom... fora a datação em algarismo romano _que excêntrico, heim! Será que ela era gótica? _XIX-I-MCMLXXVII, 19 do 01 de 1977, e a localização em Nova York, grafado em inglês, New York _que chic, bem!... _não entendo mais nada!... Que porra de língua é essa? Parece russo, ou qualquer coisa assim. Se bem que se fosse russo, tava escrito em cirílico, Ivette... dããããã!!!... Sei lá, deve ser polonês. Ah, aqui a assinatura dela: Somlyói Irina. Tudo de trás pra frente, como é costume dessa gente mais pra lá do oriente. Ai, papai tem razão, essa gente pensa ao contrário!..."
Sete minutos depois...
"_Bom... fora a datação em algarismo romano _que excêntrico, heim! Será que ela era gótica? _XIX-I-MCMLXXVII, 19 do 01 de 1977, e a localização em Nova York, grafado em inglês, New York _que chic, bem!... _não entendo mais nada!... Que porra de língua é essa? Parece russo, ou qualquer coisa assim. Se bem que se fosse russo, tava escrito em cirílico, Ivette... dããããã!!!... Sei lá, deve ser polonês. Ah, aqui a assinatura dela: Somlyói Irina. Tudo de trás pra frente, como é costume dessa gente mais pra lá do oriente. Ai, papai tem razão, essa gente pensa ao contrário!..."
Sete minutos depois...
"_Vamos ver essas duas preciosidades dela... Primeiro o mais recente... Hummm... novamente a data em algarismo romano, XIII-XI-MDCCCXCVIII, 13 de novembro de 1898. Mais um monte de coisa escrita nessa língua dela que eu não entendo nada... Quê?!!!... (estaca, perplexa). Som... lyói... Iri...
Olha bem para a assinatura.
"_Cê tá brincando comigo, né sua doida!... Deixa eu ver a letra... (puxa o outro diário e compara) Não... Não, não! Não pode ser!!!...
Olhando para lá e para cá os dois diários, desacredita:
"_Ah, pára com isso!... Tu não tem duzentos anos não, sua 'loca'! Isso não existe!"
Olha bem para a assinatura.
"_Cê tá brincando comigo, né sua doida!... Deixa eu ver a letra... (puxa o outro diário e compara) Não... Não, não! Não pode ser!!!...
Olhando para lá e para cá os dois diários, desacredita:
"_Ah, pára com isso!... Tu não tem duzentos anos não, sua 'loca'! Isso não existe!"
Cinco minutos depois, respirando fundo, se prepara para a abrir o diário mais antigo...
"_Será que esse diário gorducho?... (mira o diário) Esse 'dicionário' do Diabo... Vamos abrir!... Meu Deus... É velhíssimo!... Ah, não!... (fecha os olhos e põe a mão na testa). A caligrafia é a mesma!... Não, Meu Deus, diz que não!... Diz que eu não tô louca!...
Respira espremendo o rosto, querendo chorar. Por fim, reage:
"_Cadê a assinatura?... Deve tá aqui em algum lugar... Somlyói I... Aaaaaaaaaaaaaaaahhh!!!" (grita).
"_Pára!!!... Pára, Ivette!... Respira!... Respira fundo!..."
"_Será que esse diário gorducho?... (mira o diário) Esse 'dicionário' do Diabo... Vamos abrir!... Meu Deus... É velhíssimo!... Ah, não!... (fecha os olhos e põe a mão na testa). A caligrafia é a mesma!... Não, Meu Deus, diz que não!... Diz que eu não tô louca!...
Respira espremendo o rosto, querendo chorar. Por fim, reage:
"_Cadê a assinatura?... Deve tá aqui em algum lugar... Somlyói I... Aaaaaaaaaaaaaaaahhh!!!" (grita).
"_Pára!!!... Pára, Ivette!... Respira!... Respira fundo!..."
Respira com a mão no peito por mais quatro minutos e retorna ao diário...
"_A data... V-VII-MDLXXV... 05 de agosto... de 1575... (subitamente ouve um ruído. Se volta para trás. O pano sobre o quadro escorregara e caíra. O olhar da mulher na pintura a inquiria novamente).
"_Pára!... Meu Deus, pára!... tá rodando tudo!..."
"_A data... V-VII-MDLXXV... 05 de agosto... de 1575... (subitamente ouve um ruído. Se volta para trás. O pano sobre o quadro escorregara e caíra. O olhar da mulher na pintura a inquiria novamente).
"_Pára!... Meu Deus, pára!... tá rodando tudo!..."
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