quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A AUTENTICIDADE






















No carro, na estrada, de celular.


_Gabriel!...
_Fala, Ive! _responde ele no Rio.
_Gabriel preciso da tua ajuda, urgente!...
_Chora ai que eu te salvo!
_Eu tô com três diários aqui comigo... São bem antigos... Data eles pra mim, pelo amor de Deus!...
_Dato, mas por que esse desespero?
_Ah, depois eu te explico. Amanhã tô ai no Rio. Ok!... _desliga na cara dele.

No dia seguinte, no Rio.

_É esse o material?...
_É! Quando tu me entrega?
_Três dias.
_Hoje!
_Ei, mulher, peraí, tenho muita coisa pra datar, além desses teus diários!...
_Faz a datação depois do expediênte. Eu pago se for necessário!
_Calma!... Me paga um chopp e uma pizza depois?...
_Pago! Que horas passo aqui pra te pegar?
_Com essa hora extra, vou largar às oito...
_Oito horas eu passo aqui! Te ligo antes!
_Ok!...
_Cuidado com meus diários! Não danifica muito eles!
_Fica fria!...
Ivette bate a porta do carro e se vai.

Na pizzaria.

_Tá aqui o resultado! O material é autêntico, pode conferir!...
Ivette olha os resultados impressos.
_Quer dizer que eles são mesmo das épocas que eu suspeito?...
_Sim... _confirma Gabriel já bebendo o chopp que o garçon acabara de trazer. Ivette olha para s papéis quase sem acreditar. Sua Coca Zero é completamente esquecida no copo, servido pelo garçon.
_Não acredito, meu Deus!...
_Pode acreditar, isso é carbono-14, minha filha. O mais novinho tem mais de trinta anos, o outro deve ter uns cento e vinte e o "dicionarão" ai tem quase quinhentos, viu. Onde achou essas relíquias?
_Numa casa que tenho que vender, lá em Teresópolis.
_Humm... Em algum baú velho? _graceja ele.
_Foi... _responde ela seriamente, com os olhos fixos no papel.
_Tenta vender pra algum colecionador...
_Gabriel _interrompe ela _você leu esses diários? Deu uma olhada neles?
_Não. Só tirei um pedaçinho de cada um e coloquei pra datar na máquina.
_Olha aqui! Olha a data desse diário!...
_Humm... tá em algarismo romano... pera... isso é... janeiro de 77!
_Exato!
_Sim... é daí?
_Agora olha essa assinatura, presta atenção na caligrafia...
_Sim... e?...
_Agora olhe esse segundo diário!... Olha a data...
_Isso deve ser... 1898...
_Sim! Agora... reconhece essa assinatura?... Essa caligrafia?...
Gabriel olha atentamente para o papel. Afasta de repente o corpo, como se um inseto peçonhento quisesse saltar sobre ele.
_Ei... _se assusta ele pegando ou diário mais novo, comparando-o com o mais antigo. _Mas não pode ser!... Isso é ridículo!...
_Ri-dí-culo?... Olha esse aqui!...
Gabriel pega o imenso diário renascentista.
_Olha essa data! _obriga ela.
Ele olha com ateção a data em algarismos romanos.
_Mil... quinhentos e... _seus olhos se arregalam, seu queixo cai.
_Mil quinhentos e setenta e cinco! _finaliza ela.
_Mas não pode ser!... Isso é uma falsificação, só pode ser!... _protesta Gabriel.
_E quantos anos tem a pessoa que falsificou, heim? Trezentos?!...
Ele fica desnorteado. Olha para os três diários, feito uma barata tonta.
_Mas como, Ivette! Isso não existe!...
_E-xiste, sim!... e tá ai na sua frente! Você mesmo fez o carbono, lembra?!...
_Mas não pode ser!...
_Eu sei que não pode ser... mas é!... É Gabriel! É!...
Ele se limita a segurar a cabeça com as mãos e a apoiar os cotovelos na mesa. O garçon põe a pizza na mesa e faz menção de serví-lo.
_Não obrigado, perdi a fome...
_Eu quero! _se adianta ela...

Um comentário:

  1. a trama segue boa. sabes mesmo como envolver o leitor e trazê-lo para dentro da estória. como afirmei lá no Bar Jet Set, não é bem o romance que me apraz, mas Irina começa a me seduzir... vamos esperar...

    ResponderExcluir