
Elizabeth Báthory
Condado de Csik, 05 de agosto do ano da Graça de 1575.
Eu, Irina de Somlyó, filha de Jozsef de Somlyó _que tão bravamente derramou seu sangue por sua casa, sua fé e sua nação, e que tão sordidamente foi traído por aqueles a quem defendia e confiava _venho aqui dar testemunho de minha luta, de minha ira, de meu pecado e de minha maldição!...
Assumo, com toda força de minha condenada alma, que não me arrependo de nada do que fiz e que, se minha natureza amaldiçoada assim merece punição, a aceito. Admito ter negado a doutrina nazarena e ter sido expulsa da comunhão. Não espero a ressurreição, pois que para mim a vida e a morte são apenas diferentes países que fazem fronteira um com outro. São como as estações que mudam, sendo as mãos que colhem as flores na primavera, as mesmas que se aquecerão ao fogo no inverno.
Quando a luz me veio aos olhos, o frio inverno se fazia. Cresci amando a primavera, os verdes campos e as perfumadas flores. Mas sempre trouxe dentro de mim a fria noite de meu nascimento. Trago em mim o amor e a doçura, mas também o rancor e a crueldade. Posso amar com a alma, com a devoção dos santos, mas também com a carne, com a perversão dos diabos.
Se sofro em punição pela luxúria, é porque próxima a mim ela sempre esteve. Em minha infância meu pai já mostrava, a mim e a meus irmãos, o garanhão montando a égua, o carneiro montando a ovelha, o cão a cadela. Ríamos ao ver o longo membro do negro corcel!... Seu resfolegar agitado sobre a branca égua. Assim como ria também quando em tenra idade flagrava criados e criadas se abrasando detrás das portas, o que rendia-me ralhos de minha mãe e açoites nos criados.
Se sofro em punição pela luxúria, é porque próxima a mim ela sempre esteve. Em minha infância meu pai já mostrava, a mim e a meus irmãos, o garanhão montando a égua, o carneiro montando a ovelha, o cão a cadela. Ríamos ao ver o longo membro do negro corcel!... Seu resfolegar agitado sobre a branca égua. Assim como ria também quando em tenra idade flagrava criados e criadas se abrasando detrás das portas, o que rendia-me ralhos de minha mãe e açoites nos criados.
O pecado me cercava de todas as formas, seja sob o véu de Vênus, seja sob a espada de Marte. Ainda lembro do primeiro enforcamento a que assisti. Os condenados foram trazidos acorrentados, enquanto o populacho, afogueado, atirava-lhes pedras, ofensas e frutas podres. Eram ladrões contumazes e papai os iria punir. Foram postos com a corda no pescoço, no patíbulo, e o soldado começou a ler sua condenação:
_Zorán, dito "gatuno", László, o ferreiro, Zoltan, de Lazarea e Edvin, o menor _cujos crimes contra esta comunidade são notórios e recorrentes _vêm agora, sob ordem de nosso justíssimo senhor, o marquês Joszef de Somlyó _que Deus o abençoe! _sofrer a devida punição aos seus atos e malefícios e que Deus se apiede de suas almas!...
Tão logo acabou de falar, o soldado assentiu com a cabeça para o padre e este levou a cruz à boca de cada um dos condenados, que a beijaram e balbuciaram por perdão. Findo isso, o padre olhou para papai e assentiu, liberando-o para o ato de punição. Papai, por sua vez olhou para seu tenebroso capitão, Traian, que montado, de armadura, sobre seu cavalo _mais parecendo um vampiro, com sua pele pálida, seus cabelos caindo ensebados atrás do pescoço _ansiava pela consumação do ato. Ao que papai lhe acenou "sim", com a cabeça, Traian olhou para o carrasco _que aguardava com a faca encostada à corda, ao lado do patíbulo _e, erguendo a mão enluvada, passou o polegar sobre a garganta, da esquerda para a direita. A corda retesada foi cortada e imensas pedras foram soltas. Vi os condenados subindo rápido, catapultados, e ouvi o som de seus pescoços quebrando, quando bateram na trave de madeira. O populacho exultou! Assustados, eu e meus irmãos começamos a chorar. Papai porém, nos repreendeu:
_Não chorem! Não derramem lágrimas! Eles são criminosos, merecem o castigo! Aprendam, é assim que tratamos os malfeitores!
empalamentos, crucificações, chicotadas...uma bela descrição dos suplícios recorrente no século XVII
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