
Seguimos nosso caminho na madrugada. Pela manhã, para minha surpresa, encontramos corpos de soldados caídos, já meio encobertos pela neve, na estreita estrada do Cheile. Paramos e os averiguamos. Eram seis ao todo. Estavam com as gargantas cortadas e os pescoços ostentando perfurações de presas. Ao ver isso, Ion logo constatou exultante:
_Nossos companheiros do outro lado já os encontraram!
Ao ouvir isso, irritei-me, pois percebi que o reencontro com Dimitru estava próximo. Prosseguimos nossa viagem, encontrando mais corpos, sempre nas mesmas condições. Quase ao chegar ao outro lado, ouvimos um longo e entoado assobio. Ion parou e constatou:
_É Dimitru!
Paramos nossa marcha e, de fato, Dimitru surgiu ao alto do rochedo à nossa frente, acompanhado de mais quatro vampiros. Estavam todos a pé. Acenaram e desceram ao nosso encontro. Dimitru primeiro saudou Ion:
_Ion, meu grotesco amigo! _disse levantando seu chapéu de abas largas.
Quando voltou-se para mim, nada falou, apenas tirou o chapéu da cabeça _pousando-o sobre o peito _e curvou-se levemente, numa mesura. Não assenti à sua mesura. Voltou-se então para Ion:
_Oanna me incumbiu de limpar o caminho para a marquesa e poupar-lhes trabalho, pois precisa que você volte a partir daqui.
_Vocês se encarregarão da marquesa? _precaveu-se Ion.
_Com toda certeza, meu gigantesco amigo! _respondeu Dimitru.
Ion então voltou-se para mim e pediu:
_Me permite voltar com meus companheiros, doce Irina?
_Sim, Ion. _tranquilizei-o _Estarei bem com eles. Avise à Oanna que tudo saiu como planejara.
_Sim, marquesa.
Tirou seu chapéu e curvou levemente a cabeça, despedindo-se. Seus companheiros fizeram o mesmo:
_Irina... _saudaram sucessivamente, também descobrindo a cabeça.
Assenti a todos. Terminada a despedida, Ion pôs o chapéu e ordenou, rude como lhe era próprio:
_Vamos!
Sem demora, tomaram seus cavalos e partiram. Confesso que senti em deixá-los. Eu realmente me afeiçoara por aqueles monstruosos guerreiros. Finalmente me dirigindo a palavra, Dimitru convidou:
_Deve nos acompanhar agora... marquesa.
_Quem são seus companheiros? _perguntei secamente.
_Permita que os apresente. Este é Florin, este é Ioan, este é Mircea e este é Ciprian.
Cada um deles saldou-me cortezmente. Florin aparentava seus 35 anos, usava barba e demonstrava certo refinamento. Era visivelmente um nobre. Ioan era jovem e imberbe. Baixo e atarracado, demonstrava ser um camponês. Mircea e Ciprian demonstravam ser citadinos, pois vestiam-se à moda burguesa. Porém, causariam temor em qualquer mortal que os visse, pois tinham os olhos fundos e a palidez de quem acabou de sair da sepultura. Mircea usava bigodes, Ciprian, cavanhaque. Notei porém, que todos vestiam-se à moda corrente, demonstrando ser vampiros recentes. Não me admiraria se Oanna tivesse mandado Dimitru "arregimentá-los", entre os incautos viajantes da estrada.
Após cumprimentá-los, perguntei:
_Onde estão seus cavalos?
_Esperando por nós mais adiante. _respondeu Dimitru.
Segui então com eles. Demonstrando sua origem serviu, Ioan conduziu Aghaton, puxando-o gentilmente pela rédea. Não demorou a chegarmos até quatro cavalos. Neste momento, Dimitru se apressou em dar explicações:
_Meus companheiros a conduzirão mais adentro, até a estrada. Eu seguirei para a floresta, a partir daqui.
Curvou-se, tirando novamente o chapéu e despediu-se:
_Até mais, marquesa!
Não lhe respondi novamente. Ele simplesmente deu as costas e se foi. Florin falou então, gentilmente:
_Partamos, marquesa.
Voltei-me para ele, soltando leve e gentil sorriso e assenti positivamente. Ele e seus companheiros então montaram seus cavalos e seguiram comigo, rumo à estrada.
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