quinta-feira, 17 de novembro de 2011

DEMÔNIO





















Tão logo descansei de meu ataque ao conde, meu coração voltou a ser perturbado por um inesperado encontro no Hades. De repente, me vi em meio a um campo árido e enevoado. Não havia nenhuma vida nele, até as árvores estavam secas, com seus galhos retorcidos pela morte. Foi quando a voz de um menino chamou por mim:
_Tia...
Voltei-me e meus lábios caíram, era Béla, meu sobrinho. Aparentava seis anos e estava com um ar sereno, apesar da desolação à sua volta. Tomada pelo desespero corri e o abracei:
_Béla!... Béla, mas... por que?... Béla... não!...
Ele apenas se deixava abraçar. Enquanto eu chorava, falou:
_Não chore... A maldição não me tomou.
Envolvi sua cabeça com minhas mãos, acariciei seus cabelos e concordei chorando:
_Eu sei, meu amor, eu sei...
Mantendo o tom um tanto frio, disse:
_Tia... você tem de ir até a mamãe.
_Como assim, meu amor? _sobressaltei-me.
_Papai quer que você vá até ela.
_Béla... mas... por que?
_Meu pai sofre muito, tia. Ele está neste inferno, vim visitá-lo. Ele quer que você vá encontrar mamãe, para que ela ajude a senhora a vingá-lo.
_Aqui?!... Como assim?!...
_Os homens maus mataram papai.
Meu rosto se encheu de espanto e angústia. Béla estendeu o bracinho e apontou à sua esquerda.
_Ali.
Olhei e apenas vi o nevoeiro cerrado. Voltei-me então para meu sobrinho. Havia sumido!... Voltei a olhar para o nevoeiro. Caminhei alguns passos e vi!... _Choquei-me! _Do alto de uma grande árvore ressecada, Béla Blascó pendia amarrado por cordas que lhe feriam a carne. Dos pés à cabeça, estava coberto de hematomas. Em seu pescoço fora pendurada uma placa, onde se lia: Belá Blascó - traidor de vossa alteza e da verdadeira fé de Jesus Cristo, fornicador, avarento, JUDEU. _esta última palavra em letras bem grandes. Ao ver tal ignomínia, conclui imediatamente: Traian! Era é seu estilo de matar!...
Béla moveu a cabeça com dificuldade, olhou para mim e disse quase murmurando:
_Iri... na... Mate-o... Mate... o... demô... nio... Mate-o... Irina...
Espremendo o rosto em choro, respondi:
_Sim... Sim...

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