
Ao meio dia do dia seguinte, recebi uma visita que me encheu os olhos de lágrimas, Nicolae. Mal ele chegou com Mihail, saltou imediatamente do cavalo.
_Irina!... _gritou correndo em minha direção, já com a voz embargada.Não disse nada, apenas o abracei e chorei com ele. Ele mal podia acreditar, passava suas grandes mãos em meu rosto, olhava-me feito um alucinado e em seguida me abraçava novamente. Quase enlouquecido dizia:
_Irina... Irina... Onde estava, Irina?... Pensei que estivesse morta. Que lhe haviam raptado!...
E me abraçava e beijava o rosto novamente. Da janela, Ivan apenas olhava. Entendendo que teríamos muito a falar, limitou-se a entrar.
Após nosso momento de reencontro, sentamos mais serenamente para conversar. Dessa vez coisas não muito agradáveis. Nicolae começou:
Após nosso momento de reencontro, sentamos mais serenamente para conversar. Dessa vez coisas não muito agradáveis. Nicolae começou:
_O sumiço de Mika nos gerou mais problemas do que podíamos imaginar. Os soldados do príncipe foram até Kolozsvár e prenderam Béla. Dizem que o torturaram até a morte para que ele dissesse o paradeiro de Mika e o seu, I.
_Desgraçados! _esconjurei. _Mas Vladia, Mila e as crianças? O que fizeram com elas?
Nicolae prosseguiu:
_Para nossa sorte elas estavam na igreja com as crianças quando eles chegaram. O padre ajudou a escondê-las, quando lhe avisaram da prisão de Béla.
_Onde elas estão agora? _inquietei-me.
Nicolae prosseguiu:
_A última notícia que tivemos é que se encontram escondidas em algum lugar na própria cidade, sob cuidado dos banqueiros. Eles se revoltaram contra o príncipe e resolveram nos ajudar secretamente. Graças a eles conseguimos mais armas, cavalos e até mercenários. Teríamos sido dizimados sem sua ajuda.
Mika festejou:
_Graças! Ao menos alguma ajuda agora. Assim não mais ficamos apenas com a solução diplomática. Depois que o sultão Suleiman morreu, toda e qualquer diplomacia tornou-se impossível.
_O que?!... _sobressaltei-me. _O sultão morreu?
_Sim, já há algum tempo. _respondeu Mihail._O que?!... _sobressaltei-me. _O sultão morreu?
Nicolae enciumou-se:
_Por que o espanto? O conhecia?
_Sim, o conheci uma vez numa festa _respondi.
_Numa festa, como assim?!... _espantou-se Nicolae.
Para deter sua reação ciumenta, Mihail pensou rápido e interveio:
_Irina foi ajudada pela condessa Danesti, de Brasov. A condessa tinha excelentes relações com o sultão. Aliás, ela prometeu nos ajudar.
_E como ela vai nos ajudar? _inquiriu Nicolae já visivelmente irritado.
Mika concluiu:
_Ela nos disponibilizou alguns homens. Eles estão lutando em segredo, fazendo escaramuças contra os soldados do príncipe. Graças a eles, pudemos chegar em segurança aqui.
Ainda irritado, Nicolae voltou-se para mim:
_Irina, Irina! Onde andou este tempo todo? Por que fugiu?
_Porque nosso tio queria me vender para conde Vladmir! Ele tramava contra nós. Junto com aquela víbora chamada Traian!
A resposta conteve Nicolae:
_Sim... Já sabemos disso... _ponderou ele.
Para que ele não suspeitasse mais, inventei:
_Fugi uma noite e encontrei um grupo de ciganos na floresta. Eles me disseram que, sendo uma nobre, seria melhor ficar com Oanna.
_Oanna?... Mas quem é esta O...
_Oanna Danesti, a condessa que Mika mencionou. _cortei, antes que ele se exaltasse em seus ciúmes.
Mika então interveio:
_A questão é que agora estamos juntos novamente e temos de agir rápido. Penso que Irina deve permanecer escondida e nos ajudando com a pequena milícia que Oanna lhe arranjou. Enquanto isso, vamos mantendo as coisas por aqui.
_Mas ela vai se pôr em perigo novamente. _questionou Nicolae.
_Não temos escolha! _arrematou Mika. _Conosco ela seria como o mel que atrai as abelhas. É melhor ela continuar "desaparecida", nos ajudando da melhor maneira que puder.
_Isso corta meu coração... _queixou-se Nicolae. _Mas que assim seja.
Ouvindo sua resposta, Mika olhou para mim, sorriu levemente e moveu as pálpebras de forma cúmplice. Não poderíamos revelar nem para Nicolae minha tarefa. Pelo menos até aquele momento...
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