
Minha estadia no palacete de Vladia poderia ter sido tranquila, se a maldição não se mostrasse intransigente já no segundo dia. Logo ao almoço, comecei a me sentir tonta e enfraquecida. Minhas mãos começaram a tremer e Vladia perturbou-se:
_Irina, o que há? Não está se sentindo bem?
Infelizmente ela pegou em meu pulso e o percebeu gelado.
_Meu Deus, I... Você está gelada!...
Pôs então a mão sobre minha testa e sobre meu rosto e assustou-se ainda mais.
_Santo Deus!... Mila! Me ajude a levar Irna para o quarto, ela está muito mal!
Mila correu para me segurar e pasmou:
_Virgem Maria! Irina!... Você está gelada!... Oh, meu Deus!...
As duas então carregaram-me para o quarto, pois eu estava desfalecendo. Com a ajuda de uma criada, puseram-me na cama. Vladia desesperava-se à medida em que minha aparência mudava:
_I... Nossa Senhora!... Você está pálida! Meu Deus, como você está pálida!...
Voltou-se então para a criada e ordenou:
_Maria, mande Péter buscar o médico! Vá, imediatamente!...
Não podendo me conter, comecei a tremer convulsivamente e a respirar com dificuldade. O quarto de hora que levou para o médico chegar foi o mais desesperador de toda a minha vida. Meu corpo não me obedecia, mas minha mente estava desperta. E ela sabia que eu precisava de calor, precisava de sperma, precisava de sangue!... Se o médico demorasse mais, eu perderia o controle e atacaria minhas irmãs!...
Porém, antes que o pior acontecesse, uma mão quente e máscula aqueceu-me com vigor a testa. Ouvi então a voz jovem e firme do médico ordenar:
_Calma! Tragam água quente, ela está muito fria! Rápido! Também tragam chá, caldo, qualquer líquido quente que ela possa tomar!...
Afastar minhas irmãs foi a melhor coisa que ele poderia ter feito. Tão logo ouvi seus passos seguirem para a cozinha, puxei-o pelo pescoço para junto de mim e, usando toda energia que a maldição me concedia, encantei-o sem nenhum pudor:
_Possua-me!... Possua-me!... Posso ser sua, possua-me!... _repetia olhando fundo em seus olhos.
Um imenso judeu, aparentando 30 anos, com uma basta barba e olhos azuis estava à minha frente, olhando-me nos olhos, não conseguindo entender o que se passava consigo mesmo. Seu espírito forte resistia instintivamente ao meu encanto, mas eu redobrava meus esforços, caso contrário, iria mordê-lo.
_Venha!... Possua-me!... _repetia mergulhando em seus olhos.
Perdendo o controle da própria vontade, abraçou-me com força e beijou-me. O calor de seu corpo imenso revivia o meu com muita força. Apenas este calor foi o suficiênte para reativar meus poderes. Enquanto ele me despia, emitia meu encanto sobre a casa, fazendo minhas irmãs e as criadas mergulharem em uma plácida apatia. Suas almas sonharam acordadas por todo o tempo em que o médico possuiu-me. Não pude conter o vidrar de meus olhos e o saltar de minhas presas, enquanto ele introduzia quase dois palmos de calor em minhas entranhas. Por Vênus, como agradeci aquele santo pecado! Eu poderia tê-lo matado. Poderia ter sugado seu sangue, como fiz muito no Cheile. Mas meu pecado o salvou. Minha lascívia... salvou-me mais uma vez.
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