sábado, 12 de novembro de 2011

MOEDA DE TROCA





















Nossos ataques começaram logo no dia seguinte. Os ciganos conheciam todos os postos avançados na fronteira oeste, de onde os exércitos do príncipe enviavam mantimentos para o interior. No primeiro deles, encontramos não mais que quatro homens. Não me cansei, deixei meus companheiros caçarem à vontade. Exatamente como eu e Calidora agíamos na estrada, eles pegaram dois dos quatro homens de surpresa, vindo por trás. Sugaram-lhes o sangue, depois os empalaram em suas próprias lanças. Quando os outros dois deram por sua falta, os encontraram espetados como porcos prontos para ir ao forno. Aterrorizados, fugiram.
O segundo posto também era pequeno, embora apresentasse mais homens, seis ao todo. Deixei novamente meus companheiros agirem. Eles pegaram três, desta vez. Os deixara nas mesmas condições dos anteriores e, mais uma vez, os homens restantes fugiram aterrorizados. Quando estávamos com preguiça, esperávamos que um deles fosse pegar água no riacho, ou fosse fazer suas necessidades. Como não retornasse mais, seus companheiros logo organizavam uma busca. Ao meio do caminho, encontravam uma bela jovem ruiva, montada num cavalo branco. Quando dela se aproximavam... suas cabeças rolavam. O rolar de uma cabeça era o sinal para meus amigos atacarem. Fazíamos um banquete, mas sempre deixávamos um homem fugir, pois a lenda tinha de correr.
Um posto que tive gosto em atacar ficava a meio caminho de Csicszereda, contava com mais de dez homens. Era uma manhã nublada e três deles faziam a barba. Era engraçado chegar por trás deles sem que vissem meu reflexo. Cheguei a me agachar atrás do primeiro e embalar a cabeça, sorrindo, como se ouvisse música, pois lembrava de uma antiga canção. Ele não alterava sua atenção, aparando cuidadosamente o cavanhaque, com um pequeno espelho na mão. Estava tão absorto que fiz questão de mordê-lo com cuidado. Ele apenas arregalou os olhos quando minhas presas afundaram na carne musculosa de seu pescoço, pois minha mão tapava sua boca. Meus amigos se fartaram com o sangue dos demais. Satisfeitos em nossos apetites, deixamos que um fugisse para contar a história. Todos os outros foram decapitados.
Em apenas uma semana, destruimos cinco postos. Nos dois dias em que descansamos, os ciganos nos informaram que os soldados já estavam aterrorizados com os ataques e que as histórias sobre nossas ações já haviam chegado à Gyulafehérvár. Com certeza já estavam sendo narradas aos ouvidos incrédulos de Sigismond. Ótimo!
A tática para atacar as pequenas caravanas do exército era diferente. Eu aparecia flutuando diante das carroças com mantimentos, aterrorizando cavalos e homens. Em dias de muita sorte, os homens simplesmente abandonavam tudo e fugiam correndo. Mas, no normal, atiravam. Deixava então que disperdissassem sua munição, inutilmente, sobre meu espectro. De mãos trêmulas, deixando cair chumbo ao tentar carregar suas armas, eram presas fáceis para meus homens, que chegavam por trás e matavam sua fome. Das caravanas, jamais deixávamos sobreviventes!
Eu tinha o cuidado de encantar os cavalos durante o ataque, para que não fugissem. Uma vez mortos seus antigos donos, os conduzíamos, com sua preciosa carga de suprimentos, até os ciganos. Estes a levavam até os székelys. Para além de comida, armas e munição, meus irmãos lucravam ainda os cavalos e as carroças. Os ciganos eram pagos em dinheiro, pois se fossem pegos usando quaisquer animais, ou utensílios do exército do príncipe, estariam em maus lençois.
Neste ponto, o dinheiro judeu nos valeu muito. Nada como uma boa moeda de troca!

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