domingo, 20 de novembro de 2011

DAMPIRO


























A aparição de meu sobrinho e seu pai me deixou muito atordoada. Temi pela segurança de Vladia. Meu desejo foi de ir vê-la imediatamente. Porém, temia em abandonar meus irmãos. Dividida, sentei aflita e comecei a chorar em silêncio. Vendo-me transtornada, Ivan se aproximou e me surpreendeu.
_Pretende vencer o príncipe sozinha?
_O que?! _espantei-me.
_Não acha que deve deixar alguns inimigos para seus irmãos e para os guerreiros de seu povo?
_Pode ler meus pensamentos? _inquiri.
_Sim. _respondeu calmamente.
_Que tipo de arte cigana é essa? _investiguei.
_Não é arte, é um dom. _respondeu.
_Dom?... _questionei..
_Sim, posso ler o pensamento de outras pessoas, sobretudo o de vampiros. _surpreendeu-me.
_Por que? _quis saber.
_Sou um dampiro. _declarou.
_Dampiro? O que é isto? _confundi-me.
_Sou filho de um vampiro. _explicou.
_Filho de um... E vampiros podem ter filhos? _indaguei.
_Os homens sim, desde que estejam despertos. _respondeu.
_Se é filho de um vampiro, por que não é como nós?... _ inquiri..
_A maldição não recai sobre mim enquanto eu estiver vivo. Quando eu morrer, terão cremar meu corpo, num ritual especial, para que eu não me torne um vampiro. Porém, em vida tenho todos os poderes de um vampiro. Posso ouvir pensamentos, posso sentir a presença de um vampiro mesmo a milhas de distância, posso sair de meu corpo... Meu povo me utiliza para se proteger. Entro em contato com os vampiros. Se forem amistosos, faço amizade com eles e estabeleço um comércio, como aquele que eu e Mircea mantínhamos com você e Calidora. Mas... se forem hostis... os mato...
_Então me mataria? _questionei.Ele olhou para mim, soltou um leve riso e acariciou meu rosto. Em seguida respondeu:
_Alguma vez me deu motivos para isso?
Simplesmente o encarei, um tanto aborrecida. Ele contornou:
_Podemos nos preparar para a viagem?

Nenhum comentário:

Postar um comentário