terça-feira, 15 de novembro de 2011

HORROR






















Agora que as tropas já haviam sentido o sabor de minha presença, começaria meu ataque às suas lideranças. E sabia exatamente com quem começar: conde Vladmir! Antes de atacá-lo em carne e osso, o prepararia, aparecendo em seu indefeso sono. Não foi difícil encontrar um caminho rumo à sua alma. Seu desejo de me encontrar era tão forte, que bastou juntar minha vontade a dele. Fui parar em uma estrada cercada por árvores ressecadas pelo outono. Ele cavalgava com uma pequena tropa de soldados. De repente, sem a menor interferência minha, uma chuva de flechas os atingiu em cheio, vindo cima. Setas perfuraram os cavalos, os homens, mas _por algum motivo misterioso _apenas uma atingiu o conde, justo no coração. Ele caiu segurando a seta, contorcendo-se, rastejando e respirando com dificuldade sobre o chão pedregoso. Foi quando finalmente me aproximei dele. Ao perceber minha presença, ergueu a cabeça e assustou-se:
_Você!...
Não lhe respondi nada, apenas o fitei, serena e cruel. Ele ergueu a mão direita e clamou:
_Irina... água!... Por... favor!... Dê-me... água!... Irina!...
Pus então minha mão esquerda para trás e retornei com uma taça de ferro. Ele erguia a mão, suplicante. Baixei a taça. Nervosamente ele a tomou e levou aos lábios. Porém, mal sentiu o sabor de seu conteúdo, afastou a boca, horrorizado. Esta estava cheia... de sangue!
_Nãããããoooo!!!... _gritou ele, deixando a taça cair, espalhando o sangue pelo chão.
Olhou então, desesperado, para mim e seus olhos miraram os meus... e eles estavam vermelhos!... Abri então levemente os lábios e ele pôde ver minhas presas se insinuarem.
_Aaaaaaaaaaaaaahhhh!!!... _gritou.
O horror o fez acordar. Eu, porém, segui sua alma. Ele acordou levantando-se bruscamente da cama. Gritando como no sonho. Ainda permaneci um pouco em seu quarto, invisível aos seus olhos. Ele suava, seus olhos derramavam lágrimas e seu corpo todo tremia. Sua alcova era de um luxo grosseiro e desagradável. Nenhuma mulher dormia ao seu lado, o que confirmava que ele já era viúvo. Voltei ao mundo dos mortos.
Passeei pela estrada outonal dos sonhos do conde, pisando nos corpos de seus soldados. Quando me afastei deles, uma voz de mulher soou em meus ouvidos.
_Rameira! Vampira rameira! Você foi a causa disso! Você foi a causa disso!... _acusava em claro magiar.
Virei-me e vi uma mulher madura, quase ao início da velhice. Ela era visivelmente uma nobre e seus lábios vertiam um sumo negro. Ela então passou a mão sobre a boca e a estendeu em minha direção, acusando:
_Veja, sua rameira!... Foi isso que ele me deu! Isso que ele me deu!... Só para ficar com você! Para ficar com você! Sua vampira rameira! Rameira!...
Fitei a mulher sem me perturbar. Tudo estava claro, ela era a condessa. Conde Vladmir a envenenara para ficar comigo. Talvez me desejasse desde a época em que seu filho ainda vivia. Sem dar maior atenção à alma perdida da condessa, simplesmente retornei ao mundo dos vivos. O carroção chacoalhava como nunca, quando abri os olhos.

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