quinta-feira, 10 de novembro de 2011

IVAN





















Eu e meus novos amigos cavalgamos alegremente, conversando, até que um perfume apertou meu coração: rosas!... Olhei em volta. Era impossível não reconhecer o ponto da estrada onde caçara toda a primavera e verão passados... com Calidora! Era o perfume dela que estava no ar. Parei Aghaton e vasculhei com meus olhos todo o entorno da estrada. Nada! O que era óbvio, pois meu instinto dizia que ela não estava mais ali. Mas estivera! Pouco antes de chegarmos...
Meus companheiros não entenderam minha súbita parada:
_O que houve, marquesa? _perguntou Florin.
_Calidora... _respondi já com os olhos vertendo lágrimas.
_Quem?... _não entendeu Florin.
_A vampira grega! _esclareceu Ioan.
Florin animou-se:
_Oh!... Aquela inesquecível fada!
A alegria de Florin apenas serviu para me aumentar a dor. Por isso ordenei:
_Vamos! Não temos tempo a perder!
Continuamos nosso rumo, agora a galope, e não tardamos a chegar no ponto da floresta determinado por Mihail. Para minha alegria, ele e um jovem cigano já nos aguardavam, de pé, acariciando seus cavalos. Sorrindo, nos saudou:
_Vejo que vocês vampiros tem sentidos realmente apurados, pensei que teria de vir vários dias aqui, para esperar por você, Irina. Mas mal cheguei e você já aparece.
Apenas sorrindo, sem responder nada, desapeei e fui abraçá-lo. Cobri seu rosto de beijos e logo começei a chupar o choro com as narinas.
_Mika... _consegui sussurrar apenas.
_Calma, Iri... Está tudo bem!... _acalmou-me beijando o ombro e acariciando-me as costas.
Uma vez mais calma, ele me apresentou seu jovem guarda costas:
_Este é Dino! _disse em romeno, para que o jovem cigano entendesse.
_Marquesa! _saudou-me Dino em romeno, curvando-se levemente.
Sorri e assenti ao seu cumprimento. Mika então apressou-se em me instruir, agora em nossa língua:
_Daqui a pouco tirarei a barba e apararei o cabelo, para poder voltar ao acampamento e ser reconhecido por Nicolae, Marton e os demais companheiros. Você ficará com os ciganos, jamais permanecerá em um mesmo lugar, isto é importante para sua segurança e para nossa estratégia.
Percebendo que não estaria segura com a família de Matuanka, pedi a Mika:
_Mika, não quero abusar de suas possibilidades, mas poderia encontrar um cigano por nome Mircea? Eu já o conheço, me sentiria mais segura com ele.
Ao me ouvir citar Mircea _mesmo sem entender nada do que eu e Mika falamos em magiar _Dino prontamente interveio, explicando em seu romeno cheio de sotaque:
_Mircea é meu amigo, está procurando por ele?
_Sim! _respondi imediatamente.
_Infelizmente ele não está na região, mas dois amigos dele, que são meus amigos também, estão: Demétrio e Ivan.
_Ivan! _exultei. _Onde ele está?
_Seu carroção está a menos de uma hora de viagem daqui. _respondeu Dino.
_Mika... vamos até ele. Por favor! _implorei.
Dino interveio novamente:
_Ivan é ótimo companheiro e excelente guerreiro, conhece toda a floresta, sua irmã ficará segura com ele. _garantiu a Mihail.
_Tudo bem, Iri! Tudo bem! Pode ficar com seu amigo, se isso lhe faz sentir segura. _aceitou Mika me abraçando.
Montamos em nossos cavalos e fomos até o carroção de Ivan. Para minha felicidade, não demoramos nem três quartos de hora para encontrá-lo. Ninguém estava do lado de fora, apenas uma fumaça saía da janela do carroção.
_Ivan! _gritou Dino.
Não demorou para que o pequeno Ivan surgisse na janela, com seu jeito característico de manó. Sorriu levemente ao ver Dino, mas me ver abriu um largo sorriso de satisfação. Veio imediatamente até nós e, ignorando completamente Mihail e até mesmo Dino, abraçou-me fortemente:
_Irina! Irina!... Bela Irina!... _repetia em romeno.
Parou então, contemplou-me o rosto e disse:
_Não estás mais grega. _riu. _Agora estás como os teus.
Acariciei seu rosto, com os olhos cheios d'água e nada consegui dizer. Ele me fitou por um tempo, também com os olhos já vermelhos de emoção e, talvez para não chorar, voltou-se a Mika e aos demais. Falando em sua língua, Dino o apresentou a Mika e aos meus guarda costas.
Para minha sorte, Ivan não estava com sua família. Na verdade, sua esposa e os dois filhos que possuía _mais o que ela esperava _estavam em algum lugar da Rutênia. Ivan comerciava tecidos e tapetes persas em Erdély, por isso frequentemente estava por aqui. Ao seu lado, sabia que teria proteção, amizade... e noites quentes!

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