
No dia seguinte, ao pôr do sol, parti com Péter, amigo de Ivan, para o castelo do conde. Ele tinha o costume de lhe vender especiarias e conhecia bem o caminho para sua fortaleza. Era sábado, o conde provavelmente estaria sossegado, refestelando-se com um saboroso passadio e bebendo vinho, sem sequer imaginar que iria receber a pior visita de toda sua vida, a última!... pois pretendia matá-lo. Seguindo nosso plano, Péter me deixou a meio caminho, estacionando o carroção ainda na floresta. Montei então em Aghaton, cobri a cabeça com o capuz da capa, e fui até os portões do castelo. De longe senti o supersticioso medo dos guardas, ao ver minha figura encapuçada. Eram seis ao todo.
_Quem vem lá? _indagou, temeroso, o chefe, com a lança em riste.
Não respondi, simplesmente me aproximei em tranquilo galope e desembainhei a espada. Num reflexo, ele ergueu a lança defensivamente. Com um só golpe, decepei-lhe a cabeça. Parte de sua lança também tombou no chão, cortada à altura de três palmos. Pasmos e apavorados, os demais guardas mal esboçaram reação. Um deles simplesmente gritou: _É a morte!... _Só para em seguida tombar decapitado. Seus companheiros tiveram a mesma sorte. Encantei então os sentinelas que vigiavam ao alto da muralha, tornando-os imóveis. Retornei em seguida para o carroção, Péter ainda teria de me ajudar em um pequeno serviço.
Menos de um quarto de hora depois, conde Valdmir _que se encontrava recepcionando enviados do príncipe em seu salão _foi avisado de que uma jovem, que se apresentava como Irina de Somlyó, desejava uma audiência. Mais que depressa os soldados retornaram, com ordem estrita de me levarem até à sala de reunião. Tiveram, porém, de carregar consigo um pequeno presente: uma imensa arca cigana. Foi a arca quem primeiro adentrou o salão, carregada tropegamente por dois homens. Entrei logo em seguida, de cabeça erguida. O baixote de longos bigodes arregalou os olhos de surpresa, abrindo um largo e malicioso sorriso:
_Ora, vejam! Se não é, Irina, o tesouro escondido de velho Joszef!... _exclamou, enquanto seus homens arriavam a arca sobre o chão.
Os enviados do príncipe me olharam cheios de espanto e desconfiança. Um deles perguntou:
_Tem certeza do que está dizendo, conde?
_Absoluta! Jamais esqueceria este rosto! _respondeu o facínora.
Por meu lado, continuava calada, mirando-o com firmeza. Foi quando ele perguntou com benevolente arrogância:
_Suponho que veio se entregar e suplicar o perdão para seus irmãos. O que me traz nesta arca, as armas deles?
_Não! _respondi com firmeza. _Vim lhe trazer...
Abri então a tampa da arca, puxando de dentro seis "troféus": as cabeças de seus guardas, amarradas umas às outras pelos cabelos.
_...Isto! _finalizei, jogando-as a seus pés.
_Aaaaaaaaaahhhh!!!... _berrou o conde, apavorado.
Seus convidados também se levantaram, chocados. Sem nem pensar, o conde ordenou:
_Guardas!
Mal eles tocaram no cabo de suas espadas, puxei duas adagas de trás de minha capa e me pus em guarda. Os guardas estacaram, exitantes. Enfurecido, o conde ralhou:
Encorajados pelo insulto, avançaram. Os dois primeiros cometeram o erro de erguer suas espadas. Com um giro rápido, cortei suas gargantas. Tombaram ao chão, sufocados, golfando sangue pela boca. Ainda girando, cravei a adaga da mão direita entre as costelas do terceiro soldado. A retirei, girando inversamente, e com a adaga da esquerda, abri o ventre do quarto soldado, que tombou segurando as tripas. Outros três soldados investiram contra mim. Minhas adagas apararam golpes sucessivos. As lâminas faiscavam. Com dois chutes ao peito, afastei dois soldados, ganhando espaço e tempo. Num golpe rápido, enfiei e retirei a adaga da esquerda da boca do estômago do soldado à minha frente. Quando os outros dois se levantaram, atirei as duas adagas: um, recebeu uma direto no olho direito, o outro, teve a outra encravada bem no meio do peito.
Com sete corpos tombados sob meus pés, retornei à posição inicial. Os braços estirados, as mãos abertas e os joelhos flexionados. À ordem de minha mente, as adagas se desencravaram violentamente dos corpos em que se encontravam _chegando a arrastá-los a vários palmos pelo chão _e retornaram à meus punhos, que se cerraram ao recebê-las. Meu olhar, furioso, mirava de baixo para o conde, como faz o lince ao mirar sua presa. Branco de pavor, ele ainda indagou:
Com sete corpos tombados sob meus pés, retornei à posição inicial. Os braços estirados, as mãos abertas e os joelhos flexionados. À ordem de minha mente, as adagas se desencravaram violentamente dos corpos em que se encontravam _chegando a arrastá-los a vários palmos pelo chão _e retornaram à meus punhos, que se cerraram ao recebê-las. Meu olhar, furioso, mirava de baixo para o conde, como faz o lince ao mirar sua presa. Branco de pavor, ele ainda indagou:
_Que espécie de demônio é você?!...
Mostrando minhas presas e meus olhos vidrados, com voz sibilante respondi:
_O que você mais teme!
Imediatamente, todos os presentes levantaram e recuaram assustados, repetindo em coro:
_Vampira! Ela é vampira! É uma vampira!
Percebendo que eles já puxavam suas pistolas, entendi que deveria bater em retirada. Infelizmente teria de adiar meu acerto de contas com o conde. Criei então uma alucinação. Desapareci de sua frente com o faiscar de um raio e ressurgi sob a forma de uma imensa coruja branca. Esvoacei então pela sala, piando alto e dando rasantes ameaçadores sobre todos. Estes gritavam em coro, protegendo os rostos com os braços e se afastando acovardados. Voei então janela afora. Um dos enviados do príncipe, com as mãos trêmulas, ainda disparou alguns tiros de pistola na direção do pássaro que julgava ser eu. Eu porém, descia leve como uma pluma janela abaixo, com meu vestido esvoaçando, até pousar mansa sobre a sela de Aghaton. Toquei então meu lindo corcel branco e disparamos rumo à floresta.
Mostrando minhas presas e meus olhos vidrados, com voz sibilante respondi:
_O que você mais teme!
Imediatamente, todos os presentes levantaram e recuaram assustados, repetindo em coro:
_Vampira! Ela é vampira! É uma vampira!
Percebendo que eles já puxavam suas pistolas, entendi que deveria bater em retirada. Infelizmente teria de adiar meu acerto de contas com o conde. Criei então uma alucinação. Desapareci de sua frente com o faiscar de um raio e ressurgi sob a forma de uma imensa coruja branca. Esvoacei então pela sala, piando alto e dando rasantes ameaçadores sobre todos. Estes gritavam em coro, protegendo os rostos com os braços e se afastando acovardados. Voei então janela afora. Um dos enviados do príncipe, com as mãos trêmulas, ainda disparou alguns tiros de pistola na direção do pássaro que julgava ser eu. Eu porém, descia leve como uma pluma janela abaixo, com meu vestido esvoaçando, até pousar mansa sobre a sela de Aghaton. Toquei então meu lindo corcel branco e disparamos rumo à floresta.
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