
Quando o banho de sangue terminou, praticamente toda a tropa estava estirada sobre o chão. Muitos mortos, outros agonizantes. Porém, nossas baixas também logo se mostraram. Caídos próximos aos portões, estavam Ilona, Catalina e Petre, o cocheiro. Ilona apresentava duas perfurações à bala: uma atravessou o peito, à altura do coração, a outra a atingiu na testa e saiu atrás da cabeça. Petre recebera uma perfuração de adaga na coxa direita, um longo corte na garganta e outra perfuração, esta de espada, que lhe atravessou o peito. Com um tiro no peito, Catalina agonizava. O projétil a atingira pouco acima do coração, partindo uma artéria, que espirrava sangue sem parar. Oanna a pegou nos braços e ela não não cansava de repetir:
_Foi o capitão... o capitão...
_Traian!... _conclui imediatamente.
Oanna olhou para seu ferimento e determinou:
_O corpo não está conseguindo se regenerar.
Olhou então para Catalina e disse com doçura, acariciando seus cabelos:
_Catalina, minha selvagem Catalina... Não tema, agora poderá finalmente descansar...
Catalina lhe respondeu com um sorriso sofrido. Oanna então abraçou-a, beijou sua testa e passou os dedos sobres suas pálpebras, fechando seus olhos. Em seguida, num movimento rápido e forte, quebrou-lhe o pescoço. O corpo de Catalina escorregou mole de seus braços, os olhos fechados, tomados pelo sono da morte. Oanna voltou-se então irada para mim.
_Veja o que conseguiu com seu plano perfeito!
Não lhe respondi nada, simplesmente a deixei se afastar. De fato, mais dos nossos morreram e ficaram feridos. Simona chorava, segurando um ferimento sobre o fígado, que não parava de sangrar. Oanna a acalmou:
_Calma, minha menina, calma. Vamos lhe dar mais sangue e logo a dor vai passar.
Theodor então apareceu com uma taça cheia de sangue, que recolheu sangrando um soldado agonizante. Ioan também foi ferido por uma bala, no braço esquerdo, mas já estava resolvendo o problema, sugando outro soldado. Eu sabia que teríamos baixas, mas não esperava tantas: treze mortos. A escuridão nos ajudou, mas seria impossível deter a reação dos soldados. Por outro lado, em minha mente, apenas me indagava sobre qual força protegia Traian. Como ele conseguira fugir?! Lembro que Oanna mantinha os portões serrados com sua vontade. Como ele venceu seu poder mental? Recorria, por acaso, à feitiçaria? Qual seria seu mistério?
Enquanto procurava respostas, tomei mais uma vez a espada e comecei a ajudar na "limpeza", junto com os demais. Decapitamos todos os corpos, assim como os agonizantes. Depois, os amontoamos em duas carroças e os jogamos fora do castelo. Por fim, os cremamos em uma imensa fogueira.
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