
Traian e seus homens se refugiaram mais abaixo, mantendo distância do portão. Talvez esta tenha sido a primeira atitude sensata em sua investida contra o castelo. Pensava ele que lidaria com um bando de bizarras criaturas sobrenaturais, que correriam ao sentir o cheiro do alho e ao ver a imagem da cruz. Soube tarde demais que não apenas se enganara, mas não se preparara _realmente! _para o combate.
Não conhecendo o fogo grego, os soldados pensaram ser bruxaria, ou que algum dragão demoníaco se escondia no castelo. Ri muito visualizando seu desespero. Traian calou sua covardia com berros:
_Calem a boca, seus vermes! Covardes! Parecem crianças medrosas! Mulheres velhas!...
Temerosos e com a honra ofendida, os soldados contiveram o desespero. Um oficial então teve a presença de espírito de perguntar:
_O que faremos então capitão?
_É impossível cercar este castelo em nossas condições. Podemos bater em retirada e ir atrás de reforços. Ou podemos jogar com a sorte e atacar novamente.
_Como! Este castelo é uma imensa armadilha, capitão! Veja que eles sequer fecharam os portões! Esperam que entremos novamente, para nos assarem como porcos! _argumentou o oficial.
Traian puxou então o ofical pela aba do jibão, encostou a lâmina de seu punhal em sua garganta e respondeu com os dente rilhados:
_Eu sou um jogador, Laszló!... Eles podem estar blefando! Talvez não tenham mais fogo para jogar sobre nós. Aliás, por que não usaram canhões e mosquetes?... Não têm pólvora e por isso usam de artifícios?... Será que ainda possuem cal suficiênte para outro ataque? Tenho certeza que usaram cal! Aprenda, Laszló, aprenda a pensar, aprenda a pensar!!!!...
_E se ainda tiverem capitão? _inquiriu Laszló.
_Ainda tenho mais de 60 homens!... Acha mesmo que me acovardarei e desperdiçarei esta chance!?...
Largou então o pobre Laszló e dirigiu-se aos outros soldados:
_Agora prestem atenção, imbecis! Oito homens entrarão de madrugada, em dois grupos de quatro. Um seguirá à direita, o outro à esquerda. Irão se ocultando sob as sombras, levando tochas apagadas. Cada grupo levará uma lanterna encoberta com uma flanela. Uma vez lá dentro, acenderão as tochas e queimarão tudo o que for inflamável.
_Eles têm sentinelas, não é seguro!... _interveio novamente Laszló.
_Não estaria aqui se quisesse segurança, Laszló. Estaria onde encontrei você, cuidando de ovelhas junto com seu pai. _desdenhou Traian.
_Sou um soldado, capitão. Por isso sei que sacrificar toda uma tropa em uma investida sem sentido é mais que inabilidade, é uma insanidade!...
_Se quer deserdar... deserde! Mas saiba que o caçarei até no inferno, se for preciso e o empalarei em uma longa estaca!... _ameaçou Traian já com olhos assassinos.
_Então que assim seja! _arrematou corajosamente, Laszló.
Ergueu-se então e sugeriu à tropa:
_Os que quiserem viver... que venham comigo!
Um pequeno grupo de quatro homens o seguiu. Os demais, não tiveram coragem de se opor a seu implacável capitão. Vendo Laszló se afastar com seus seguidores, Traian voltou-se aos demais:
_Mas alguém quer se juntar aos covardes?
Não ouvindo resposta, continuou:
_Muito bem! Atacaremos entraremos no castelo antes do cantar do galo. Duvido que alguém esteja acordado. Mesmo sentinelas cochilam às altas horas. Temos apenas de agir rápidos e sorrateiros. O incêndio logo se fará e quem sobreviver, será obrigado a vir para fora dos portões. Quando isso acontecer, estaremos a postos, de armas em punho. Não pouparemos ninguém. Se é com fogo que eles gostam de brincar, será com fogo que brincarão.
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