quarta-feira, 14 de março de 2012

CHAMAS





















Meu plano deu certo, morreram mais homens do que o esperado com as armadilhas. Para além dos que foram diretamente atingidos, outros se feriram nas pontas das hastes, quando tentavam salvar seus companheiros. Ao todo, morreram dezesseis homens e dois cavalos. O moral da tropa ficou abalado. Traian ficou possesso. Ao perceber o envenenamento dos feridos, deu ordem para que estes fossem simplesmente abandonados ao meio do caminho.
Visualizei toda a longa, íngrime e acidentada subida dos soldados em direção ao castelo. Exaustos e sedentos, tão logo esgotaram seu estoque de água, passaram a beber a água benta. Ri ao visualizar um velho e tolo soldado comentar:
_Dentro de nós, ela nos protegerá mais!
Pouco depois, ele próprio urinava sua proteção sobre um arbusto. A incredulidade crescia e outro jovem e incauto soldado argumentou:
_Vampiros não constroem armadilhas! Estamos lidando com homens como nós!
Descrentes e ansiosos, os homens foram devorando o alho dente após dente, cabeça após cabeça, para enganar a fome e conter a inquietação de seus corações. Não demorou para que não restasse mais nenhum colar, transformados que foram em merenda fortuita e tempero para sopa. A imensa cruz foi transformada em lenha para fazer fogueira.
Exaurida, a tropa chegou diante dos portões do castelo ao cair do crepúsculo. Ao encontrá-los abertos, seus corações se agitaram de tal forma que eu, Oanna e as criadas e criados vampiros, rimos ao sentir sua vibração em nossa pele. Como eu esperava, Traian não se arriscou. Ordenou que dois homens entrassem primeiro. Os coitados tremiam tanto, que nos causavam cócegas. Eu e Oanna tivemos de ordenar aos criados que rissem mais baixo, para que os soldados não escutassem. Os dois foram adentrando o pátio principal e, não vendo ninguém, se aventuraram até as portas e janelas. Encontrando-as trancadas e vendo o castelo às escuras, sem nenhuma luz em seu interior, tiveram a equivocada idéia de voltar até os portões e acenar para seus companheiros. Com acenos, deram a entender que não havia ninguém.
Traian, que era experiênte, preferiu mandar apenas alguns homens entrarem. Quinze homens transpuseram os portões e adentraram ao pátio. Ainda não os atacamos, deixamos que adentrassem bem. Com os mosquetes em riste, demonstrando confiança, revistaram novamente as janelas e portas. Não encontrando ninguém, resolveram voltar e chamr os demais. Traian, novamente, mostrou sua experiência e, com sinais, deu ordem para que investigassem mais. Os homens obedeceram ao comando, mas eu não queria, pelo menos ainda naquele momento, sua presença mais adentro no castelo. Por isso... determinei que era hora de atacar! Mentalmente, dei ordem para que Ciprian, estrategicamente posicionado em uma das janelas frontais, acendesse seu canhão. Não demorou para o jato de fogo atingisse em cheio o meio da tropa, fazendo um estrondo surdo:
_Wuuuuul!...
Sete homens foram pegos em cheio. Sem nenhuma pidedade, ordenei a Mircea que acendesse o segundo canhão. Mais um jorro de fogo arrebatou a tropa, agora pela banda esquerda.
Uma dezena e meia de soldados incendiaram-se. Cinco ainda correram desesperados para fora, com os braços e costas em chamas. Meus companheiros não atiraram, a ordem era deixar queimar!... Quando Traian viu os portões vomitando seus homens, em chamas, ordenou imediatamente para que o resto da tropa recuasse. Neste momento, ordenei mentalmente a Ioan, que se achava no topo da torre mais alta, que jogasse nosso "presentinho" sobre a tropa: as duas garrafas cheias de fogo grego. Ele acendeu os murrões e arremessou-as _primeiro uma, depois outra _com a força que só os vampiros podem dispor. As garrafas caíram bem no meio da tropa. A primeira, atingiu em cheio a testa de um soldado e explodiu, incendiando-o e a todos que se achavam em volta. Três se foram junto com ele. A segunda explodiu sobre o chão, perto da pata de um cavalo. O cavalo e seu cavaleiro, mais um homem que se encontrava próximo, foram incendiados. Fez-se um grande clarão na escuridão da floresta. Mais de dez homens rolavam pelo chão, em chamas! Não apenas ouvíamos seus gritos, como os sentíamos em nossa carne.
Por algum milagre do Diabo, Traian saiu ileso do ataque. Com gritos que cortavam o ar como uma faca afiada, ele ordenava:
_Recuar! Recuar!...

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