terça-feira, 13 de março de 2012

FOGO GREGO















Antigo documento bizantino mostrando o fogo grego.




Não perdi mais tempo discutindo com Oanna, tendo acabado de jantar, sai da sala e fui ver meus homens. Estabelecemos nosso plano de ação. Ioan e Mircea, deram a idéia de fazer toras crivadas de hastes pontiagudas, que seriam acionadas pelo toque das canelas dos soldados e cavalos em um fio rasteiro, rente ao chão. Ciprian deu a idéia de envenenarmos as pontas das hastes. Fui até Oanna lhe pedir um pouco de veneno para o serviço. Ela irou-se:
_O que?! Como se não bastasse o fogo grego, você ainda quer gastar minhas essências!
_Prefere sentir o cheiro do alho e o toque da água benta? _rebati.
Ainda que reclamando, ela me cedeu um frasco com beladona. Ordenei a meus homens que fossem preparar as armadilhas na floresta. Ansiosa, Oanna resolveu apressar o serviço cedendo Victor e Theodor para ajudarem. As toras foram colocadas escondidas, estrategicamente, nas árvores que ladeavam a trilha por onde, forçosamente, a tropa de Traian passaria. Foram feitas quatro, todas com capacidade de abater até três homens de uma vez.
Oanna preparou o fogo grego, tendo o cuidado de não revelar o segredo de sua fórmula mesmo para mim. Este fogo terrível não pára de queimar, mesmo em contato com a água. Besuntamos então o interior de dois pequenos e velhos canhões com a poderosa mistura e os posicionamos escondidos, atrás das graciosas janelas cortinadas do castelo. O jato de fogo se projetaria tão distante, que espirraria para fora dos portões. Enchemos também duas garrafas de vinho com o fogo grego. Elas seriam atiradas do alto da torre maior.
Instrui então os criados sobre o que deveriam fazer. Com fria sinceridade conscientizei:
_Tenham certeza de que alguns de vocês morrerão esta noite. Mas pensem apenas na libertação de suas almas, no fim da maldição.
Sanziana e Simona verteram lágrimas... e sorriram ao mesmo tempo. Por fim, convidei:
_Então!... Não vamos preparar uma festa de despedida?
Todos exultaram e responderam que sim. Nossa pequena tertúlia se deu ao meio da tarde. Houve vinho, leitões, frangos, frutas e música. Depois, algumas criados e criados foram folgar um pouco de luxúria, numa última despedida de amor. Eu preferi ficar com meus pensamentos, assistindo um enfraquecido sol vermelho se pôr no horizonte. Pouco depois, abrimos os portões e aguardamos tranquilamente. Apenas Oanna se mostrava inquieta:
_Esta será a última vez que precisarei de sua ajuda, eu lhe garanto! _prometia andando de um lado para o outro.

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