domingo, 11 de março de 2012

CINISMO
















Durante o jantar, Oanna não me deu trégua:
_Espero que tenha algum bom plano para me ajudar, pois nossos inimigos, além de muitos, vêm armados com boa quantidade de água benta e alho.
_Por que não chama um exército de feras para aniquilá-los antes mesmo de aqui chegarem? _provoquei.
_Porque não há muitos lobos nesta região, Irina. Ursos e linces podem assustar, mas uma única fera é fácil de ser abatida. Estes animais geralmente são solitários. Mas se você quiser uma ursa e seus frágeis filhotes atacando aquele bando de facínoras bem armados...
_Tem pólvora? _indaguei calmamente, mastigando.
_Está gozando da minha cara? Sabe há quanto tempo vivo em paz aqui?... Possuo apenas um único barril, que sempre foi o suficiente para o tranquilo serviço de meus homens!_reagiu ela.
_Então temos de fazer algo mais arriscado. _rebati, mastigando o porco.
_O que, por exemplo?... _desafiou.
_Primeiramente, temos de considerar que o caminho para o castelo é íngreme e acidentado. Temos apenas de torná-lo o mais cansativo possível. Prepararemos armadilhas em pontos estratégicos, ao longo da estrada. Elas não perderão muitos homens, mas tentarão salvar companheiros, cansando-se mais. Ficarão portanto inseguros e com o moral abalado. Neste estado, consumirão mais de suas reservas, com certeza comerão o alho e beberão a água benta. Se tornarão completamente indefesos.
_E o que mais?... _continuou a desafiar.
_Quando aqui chegarem, encontrarão os portões abertos. _respondi calmamente.
_O que?!... _assustou-se ela.
Eu simplesmente continuei:
_Deixaremos as luzes apagadas e as portas e janelas fechadas, para que eles acreditem não haver ninguém. Eles entrarão e, quando estiverem todos no pátio... lhes faremos uma surpresinha.
_E que surpresinha seria esta? _inquiriu.
_Vamos usar aquela arma que só você conhece a receita. Que seu pai aprendeu com os bizantinos e usou para combater Drácula...
_O que?! O fogo grego?!... _reagiu.
_Exatamente! _confirmei.
__Além de todo o risco que vou correr, quer que eu gaste meu precioso material?! _esbravejou.
_Quer minha ajuda, não quer? _indaguei calmamente, mastigando mais uma porção de porco.
_Não tenho material para fabricar fogo grego o suficiente! _esbravejou.
_Então, em certo momento, teremos de ir para o corpo a corpo com eles. Podemos fazer isso em um momento em que estiverem cansados e assustados, há noite, de preferência. Veja o lado bom, seria um banquete de sangue.
_Está louca?! _reagiu. _O meu sangue e o sangue de meus criados também seriam servidos neste banquete!... Possuo apenas trinta vampiros ao meu serviço, eles tem três vezes mais homens que isso!...
_Use Ion e seus companheiros. _sugeri.
_O que?!... Arriscar meu exército secreto! Jamais!...
_Então teremos de fazer da forma mais difícil. Vamos avaliar a situação: eles perderão homens nas armadilhas e no ataque inicial. Temos de levar em conta também as deserções. Quanto a nós, temos apenas de considerar que na guerra a perda de homens, ou mesmo da própria vida., faz parte do jogo. _postulei tranquilamente.
_Vá dar suas lições de guerra aos imbecis que trouxe com você! _rebateu.
_Você não tem outra escolha. _conclui.
_O que quer é loucura! Jamais farei isso, jamais!!!... _teimou.
_Então fuja. _conclui tranquilamente. _Confirme de uma vez o que dizem a seu respeito, que é uma vampira. Ou pior, uma vampira covarde, que abandonou seu povo e sua comuna nas mãos do inimigo.
_Não me insulte, sua rapariga! _vociferou.
_Estou apenas falando a verdade. _rebati com calma.
_Com quem aprendeu a ser cínica? _criticou.
_Com você! _respondi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário