
Todos dias, por horas, eu treinava. Às vezes com Theodor e Victor, às vezes com Oanna. Por vezes com os três, em meus dias mais aguerridos. Ou apenas com um deles, em meus dias mais serenos. Quando não tinha mais com quem treinar, treinava sozinha. Bailava com duas adagas, minha dança fatal.
Uma noite, um sentimento estranho me abateu. Estava olhando a floresta sob o luar, quando o som de cascos de um cavalo, ao longe, fez meu coração palpitar. Não compreendi o que seria aquilo, aquele repentino sobressalto. Pensei que talvez fosse a saudade que tinha de papai, ou de meus irmãos. Mas não era, senti que não era. Uma aflição ruidosa me tomou. Sem nenhuma razão, simplesmente desci, tomei uma das laternas do pátio, encantei os dois guardas do portão, fazendo-os dormir, e tomei o rumo da floresta. Feito uma louca, desabalei numa corrida aparentemente sem sentido, como se tivesse de salvar alguém. Cheguei a lembrar da noite das pornae, porém, agora não havia nenhum chamado. Havia apenas clara sensação de ter de encontrar alguém. E lá estava eu indo em sua busca, sem saber sequer de quem, ou do que se tratava. Minha cabeça pensava mas meu coração não me obedecia. Pensava comigo: "_Que tola, por que trouxe uma lanterna? Posso enxergar no escuro se quiser. E se queria passear com meu corpo mortal, por que não peguei um cavalo!" _Porém, mal esta idéia passou-me pela cabeça, senti-me imediatamente culpada, como se tivesse pensado uma heresia.
O céu pouco a pouco se fechou em nuvens púrpuras e não tardou a cair uma fina e intermitente chuva, acompnhada de leves trovoadas. Minha mente se calou. Perdi então verdadeiramente a noção do tempo, tendo corrido por mais de uma hora. Fiquei em estado deplorável! Estava ensopada, meus pés e a barra de minha camisola estavam imundos de lama!
Quando a chuva finalmente parou, meu coração me fez parar perto de um riacho. Eu não o via totalmente, pois a vegetação o ocultava, em parte, de minha vista. Mas o ruído fluido de suas águas me chegava claro aos ouvidos. Ouvi também, claramente, o ruído de cascos e o bufar de um cavalo. Ergui a lanterna para iluminar o caminho e me aproximei, pé ante pé, do local onde o animal se escondia. De repente, sem que eu esperasse... saltou diante de mim um belo cavalo branco. Tremi da cabeça aos pés...
Quando a chuva finalmente parou, meu coração me fez parar perto de um riacho. Eu não o via totalmente, pois a vegetação o ocultava, em parte, de minha vista. Mas o ruído fluido de suas águas me chegava claro aos ouvidos. Ouvi também, claramente, o ruído de cascos e o bufar de um cavalo. Ergui a lanterna para iluminar o caminho e me aproximei, pé ante pé, do local onde o animal se escondia. De repente, sem que eu esperasse... saltou diante de mim um belo cavalo branco. Tremi da cabeça aos pés...
_Aghaton!...
Sim, era ele mesmo, meu belo Aghaton. Ele estacou quando me viu, como se não me reconhecesse, ou me temesse. Deu dois passos para trás, relinchou.
_Aghaton... _me aproximei aos prantos, levantando a mão direita, em súplica para que ele não fugisse.
A luz da lanterna clareou mais sua imagem. Ele estava ferido, trazia alguns cortes sobre o peito, em uma das ancas e no alto da perna esquerda. Os cortes ainda sangravam. Aproximei-me mais e ele relinchou, defensivamente. Foi quando compreendi toda a situação. Eu sentira sua proximidade e fora ao seu encontro. Porém, tivera a intuição de pegar uma lanterna e seguir a pé, condição sem a qual eu o assustaria, pois cavalos conhecem os vampiros. Suja, molhada dos pés à cabeça e com uma lanterna nas mãos, pareceria normal para ele, como qualquer outra pessoa. E como qualquer outra pessoa, eu não deveria encantá-lo, mas sim acalmá-lo e fazê-lo vir até mim.
_Aghaton... meu lindo Aghaton... Não tenha medo, sou eu... sua Irina... _suplicava chorando.
Ainda assustado, ele se ergueu sobre as patas traseiras e relinchou.
_Não tema, meu amor... Sou eu... sua Irina...
Ele me olhava como que confuso. Senti que me reconhecia, mas me receava. "_Maldita maldição!", esconjurei em meus pensamentos. Desesperada, simplesmente estaquei, fechei os olhos e começei a soluçar. O pranto lavou minhas faces. Foi quando finalmente senti seu focinho gelado tocar meu rosto. Abri os olhos e o vi, calmo e dócil, olhando para mim. O abracei, a maldição não conseguira tirá-lo de mim.
Fiquei ali com ele, ainda por um tempo. Lavei suas feridas à beira do riacho, lhe dei de beber e o mimei. Antes de ir, ainda molhei o rosto, lavei os cabelos, bebi um pouco de água e me recompus. Dizem que os vampiros têm medo da água corrente. Isto é bobagem, simplesmente é tolice tentar atravessar um curso d'água quando se está fugindo. E vampiros têm de fugir, muitas e muitas vezes. Retardar-se por conta da correnteza, ou morrer afogado é uma idiotice que nenhum guerreiro comete.
Porém, naquele momento não precisava mais correr. Tinha meu Aghaton novamente. Com um salto, montei sobre ele e o pus a galope. Cavalgamos até quase o amanhecer, quando finalmente meu príncipe árabe me levou para casa.
_Aghaton... _me aproximei aos prantos, levantando a mão direita, em súplica para que ele não fugisse.
A luz da lanterna clareou mais sua imagem. Ele estava ferido, trazia alguns cortes sobre o peito, em uma das ancas e no alto da perna esquerda. Os cortes ainda sangravam. Aproximei-me mais e ele relinchou, defensivamente. Foi quando compreendi toda a situação. Eu sentira sua proximidade e fora ao seu encontro. Porém, tivera a intuição de pegar uma lanterna e seguir a pé, condição sem a qual eu o assustaria, pois cavalos conhecem os vampiros. Suja, molhada dos pés à cabeça e com uma lanterna nas mãos, pareceria normal para ele, como qualquer outra pessoa. E como qualquer outra pessoa, eu não deveria encantá-lo, mas sim acalmá-lo e fazê-lo vir até mim.
_Aghaton... meu lindo Aghaton... Não tenha medo, sou eu... sua Irina... _suplicava chorando.
Ainda assustado, ele se ergueu sobre as patas traseiras e relinchou.
_Não tema, meu amor... Sou eu... sua Irina...
Ele me olhava como que confuso. Senti que me reconhecia, mas me receava. "_Maldita maldição!", esconjurei em meus pensamentos. Desesperada, simplesmente estaquei, fechei os olhos e começei a soluçar. O pranto lavou minhas faces. Foi quando finalmente senti seu focinho gelado tocar meu rosto. Abri os olhos e o vi, calmo e dócil, olhando para mim. O abracei, a maldição não conseguira tirá-lo de mim.
Fiquei ali com ele, ainda por um tempo. Lavei suas feridas à beira do riacho, lhe dei de beber e o mimei. Antes de ir, ainda molhei o rosto, lavei os cabelos, bebi um pouco de água e me recompus. Dizem que os vampiros têm medo da água corrente. Isto é bobagem, simplesmente é tolice tentar atravessar um curso d'água quando se está fugindo. E vampiros têm de fugir, muitas e muitas vezes. Retardar-se por conta da correnteza, ou morrer afogado é uma idiotice que nenhum guerreiro comete.
Porém, naquele momento não precisava mais correr. Tinha meu Aghaton novamente. Com um salto, montei sobre ele e o pus a galope. Cavalgamos até quase o amanhecer, quando finalmente meu príncipe árabe me levou para casa.
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