terça-feira, 25 de outubro de 2011

LOUCURA


























Nos dias que se seguiram Mika conheceu melhor a Oanna. Esta não fez rodeios quanto ao fato de sua presença ali lhe render riscos:
_Não quero expulsá-lo, mas nada tenho contra o príncipe e sei que logo chegará uma tropa por aqui procurando por você. Penso então que, como já está reestabelecido, este seja o momento mais propício para você partir. Até porque o príncipe poupará seus homens no inverno.
_Pode me ajudar a retornar à Csik? _questionou Mihail.
_Sim. Até já imagino como. Você retornará pela estrada, disfarçado de cigano. Tenho muito boas relações com os ciganos. Você deixará seu cabelo e sua barba crescerem, deve ficar com uma aparência bem diferente. Sua viagem de volta começará no fim do inverno, para que possa lançar seu contrataque ao raiar da primavera, eles não esperam por isso.
_Tivemos muitas baixas, você pode me ajudar com mais homens? _suplicou Mika.
_Seria tolice minha me envolver diretamente nesta guerra, o máximo que posso fazer é deixá-lo de volta com o máximo de segurança.
Neste momento intrometi-me e provoquei-a:
_Faça o melhor para você, Oanna, mas irei com ele, afinal foi para isso que treinamos por tanto, não foi?
Desconcertada e irritada ela rebateu:
_Faça o que quiser! Lavo as mãos, no que diz respeito a você!
_que assim seja, mas quero algo antes de ir: dê-me um pequeno exército de vampiros.
_O que?! _irritou-se mais ainda.
_Não preciso de muitos, e eles agirão em pontos estratégicos, poupando os esforços de meus irmãos e desequilibrando as defesas do príncipe.
_Você está louca! Não arriscarei meus homens numa empreitada maluca dessas! _opôs-se.
_Seus homens não correrão nenhum risco. Atacaremos na calada da noite, quando as tropas do príncipe estiverem descansando. Não precisamos nem matar muitos, apenas o suficiênte para que eles morram de medo.
_O que está querendo dizer? _investigou ela.
_O exército do príncipe não teme os székelys, age como um grupo de caçadores acuando a caça. Está na hora de baixarmos o seu moral. Eles têm de se sentir acuados, têm de perceberam que a floresta possui feras muito mais tenebrosas de que possam imaginar. Com isso, os faremos perder o controle. Amendrontados e confusos, se tornarão presa fácil das escarmuças de meu povo.
Mika exultou:
_Meu Deus... você está certa!...
Oanna, irritou-se:
_Não acredito que um guerreiro está dando ouvidos às sandices de uma menina tola!
Mihail corroborou comigo e defendeu-me:
_Ela não é tola, bem ao contrário! Realmente, se as tropas do príncipe forem atacadas por vampiros ao longo de todo território székely, não apenas se enfraquecerão por conta de seu temor, mas desencorajarão outras tropas de entrarem em nosso país.
_Acha que Sigismond temeria vampiros? Ele é calvinista, sequer acredita em nossa existência! _rebateu Oanna.
Demonstrando todo seu conhecimento de guerra, Mika argumentou:
_Sigismond talvez não tema, mas seus homens sim. Ele nada poderá fazer sem seus exércitos. Fora isso, a própria notícia de que seus soldados fogem de volta para casa com medo de vampiros, o desmoralizará completamente.
_Isso é loucura! _protestou Oanna.
_Sim! _confirmei. _Extamante do que precisamos, loucura! Desequilíbrio! Soldados com o moral fraco e as defesas abertas!
_Perfeito! _exultou Mihail.
_Grande Yarilo!... _clamou Oanna, balançando a cabeça negativamente.
Sentou-se então e refletiu por um certo tempo, olhando para o chão, com as mãos sobre as têmporas. Após um breve momento de silêncio, suspirou alto e determinou:
_Que seja como vocês desejam! Mas ouçam!... Não usarão meu exército secreto em Csik, apenas os vampiros mercenários que eu arregimentar! Darei ordem a Dimitru para que reúna um bom número de novos vagabundos amaldiçoados como ele, e use nesta sua empreitada maluca!
_Como quiser! _aceitou Mihail.
Sorri em resposta.

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