terça-feira, 11 de outubro de 2011

PODERES






















Passei então o resto do dia entretendo Mihail, mostrando-lhe meus poderes. Ele riu muito quando me viu subir pelas paredes.

_Ahahahahahahaha!!!... Mais o que é isso, Irina?!... Como... como você consegue?...

_Há uma força que me gruda às paredes. Não sei lhe explicar direito. Eu puxo a respiração e sinto esta força. Então é só andar pelas paredes, a força me segura.

_Posso tentar? _arriscou.

_Nem sonhe! Tem de ser como eu para conseguir fazer isso. _respondi de cabeça para baixo, no teto. _Ou quer ficar pior do que já está? _continuei.

_Nem sonhando! _respondeu ele rindo.

Questionou então:

_Por que seus cabelos não caem de todo, e sua saia também não?...

_Quer ver minhas pernas e minhas partes íntimas? _respondi rindo.

_Não! Desculpa! Não é isso! _explicou-se ele rindo. _E que não entendo o que estou vendo, só isso.

_A força também segura um pouco meus cabelos e meu vestido. Por isso não fico nua na sua frente_respondi rindo.

Os risos de Mika, porém, pararam quando saí do corpo. Primeiro, ele não gostou nada de ver morta, sentada na cadeira:

_Irina... Irina... _Chamava-me, balançando-me o corpo. _Irina... responda!...

Meu rosto tombou, sem vida, para o lado como resposta. Porém, antes que ele se desesperasse, mostrei-me em minha forma espectral.

_Estou aqui!

Ele se virou e quase deu um salto de susto:

_Aaaaaaahhh!!!... O que é isso?!!...

_Sou eu! Não tenha medo!... _tentei acalmá-lo.

_Você?!... Mas você... Você é um fantasma!...

_Sim, mas posso voltar a viver, não se preocupe.

_Irina... Não estou acostumado com isso... _inquietou-se.

_Calma, veja o que posso fazer...

Transformei-me então em fumaça. Soltando vapor avermelhado aos poucos, até desaparecer e me tornar uma bruma que cobriu o chão. Mika novamente se impacientou:

_Irina... Você está ai? Em qualquer lugar... Irina... não estou gostando dessa névoa fria...

Vendo que ele estava muito assustado, recolhi minha forma de névoa rapidamente e retornei ao meu corpo. Para não assustá-lo mais ainda, entrei por debaixo de meu vestido. Não vendo mais a névoa em nenhum lugar da sala, aproximou-se de mim.

_Irina...

Abri os olhos e ele estremeceu. Ri.

_Desculpa! Estou bem.

_Irina... _dizia ele tocando meu rosto, meus ombros e braços com as mãos. _Como é bom ver você de volta!...

Ri novamente.

_Calma, seu bobo. Eu posso voltar sempre. Sempre, não se preocupe. _e afaguei seu rosto, o beijei e abracei.

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