A alegria do reencontro seria apenas momentânea, eu sabia disso. Logo teria de saber tudo o que acontecera após meu desaparecimento. Meu coração dizia para esperar o pior. No dia seguinte, sentei-me com Mihail e fiz a pergunta fatídica:
_Como está papai?...
Ele se manteve calado por um momento, baixou a cabeça, a ergueu novamente e disparou:
_Papai está morto!...
Engoli a notícia com dificuldade. Uma grossa lágrima começou a rolar de meu olho direito e tomei fôlego para continuar.
_Como aconteceu?...
_Numa emboscada...
Rilhei os dentes e começei a soluçar. Mihail prosseguiu:
_Estamos em guerra, Irina. Nossa família está fora da lei agora, em guerra contra o príncipe novamente. E tudo... por sua causa.
_Como assim? _espantei-me.
_Estávamos tentando viver em paz quando você desapareceu. Conde Vladmir culpou papai por seu desaparecimento e o acusou de incesto.
_O que?!... _sobressaltei-me, levantando da cadeira.
_Sim... Ele acusou papai de ter um caso incestuoso com você e de escondê-la. Foi até o príncipe e disse que papai havia garantido sua mão a Ferencz. Defendeu que ele não honrou sua palavra por conta do crime que cometia com você. Acusou então papai de loucura e disse que queria resgatá-la e fazer valer o direito que tinha sobre você.
_Bandido!!!... Ele nunca teve, nem nunca terá qualquer direito sobre mim!!!... _vociferei.
_O fato... _continuou Mika _é que o príncipe não apenas concedeu ao conde o direito de resgate, como o de prender papai, sob a acusação de insanidade.
_Como?!... O príncipe é quem é louco!...
_O problema, Irina... _interrompeu-me Mika _é que papai matou Ferencz!...
_O que?!... _surpreendi-me.
_Foi numa manhã que tudo se deu... _prosseguiu Mika _Conde Vladmir, Ferencz e alguns de seus homens chegaram no castelo. Traian também estava com eles.
_Maldito!... _rosnei com os dentes rilhados.
Mika continuou:
_Eu, papai, Nicolae e Marton descemos armados para recebê-los. O conde então perguntou por você, acusou papai de escondê-la e disse que se não a entregasse, iria até o príncipe. Papai respondeu que não sabia onde você estava e que me mesmo se soubesse, jamais a entregaria. Ferencz então o insultou:
_Devolva-a, seu cão mentiroso e incestuoso!
Papai ficou possesso... Na verdade, desde que você foi para o castelo de tio István, ele perdeu o controle de si, bebia muito e vivia irritado. Ele já estava alto quando o conde chegou. Com a provocação de Ferencz... ele explodiu:
_Cale sua boca suja, seu porco infiel imundo!
Montado, Ferencz atirou-se ele. Mas papai, como era seu costume, trazia sempre uma adaga escondida atrás na cintura. Puxou-a e atingiu o cavalo na testa, entre os olhos, fazendo-o cair. Ferencz ficou com a perna presa sob o corpo do cavalo, tentando se desvencilhar. Antes que ele o fizesse, porém, papai puxou a espada... e o decapitou...
_Que glória!... _exultei chorando.
Mika prosseguiu:
O conde gritou desesperado quando viu seu filho morrer:
_Ferencz!... Não!... Nããããooo!...
Papai, porém, estava fora controle... Apanhou a cabeça de Ferencz pelos cabelos e jogou-a para o conde dizendo:
_Tome a cabeça de sua cria asquerosa, sua serpente imunda!
O conde ainda quis lançar-se contra papai, mas Traian o conteve.
_Não faça isso, conde! Suporte sua dor! Não seja tolo! Não podemos perder a razão, ele agora é um criminoso. Vamos nos retirar. Levaremos o corpo de Ferencz como prova de sua loucura para o príncipe. Voltaremos mais tarde... com dez vezes mais homens!...
_Víbora!... _acusei.
Mika continuou:
_Eles juntaram o corpo de Ferencz e partiram. Nós entramos e começamos a planejar nossa defesa, sabíamos que, a partir daquele momento, estávamos fora da lei. Sabíamos que eles voltariam já acompanhados pelas tropas do príncipe. Concluímos que ficar no castelo seria tolice. Sigismond quer apenas um pretexto para nos punir e papai lhe dera muito mais que um motivo. Por isso, Marton sugeriu:
_Temos de nos esconder na floresta! Prepararemos armadilhas e escaramuças.
_Certo! _concordou papai.
Marton prosseguiu:
_Os criados devem se dispersar pela vila. Os idosos e doentes devem ir para o mosteiro. Levaremos apenas aqueles que forem fortes e hábeis com armas. Deixaremos para o exército do príncipe apenas um castelo vazio e sem provisões.
_Certamente! _concordou Nicolae.
_E mais _concluiu Marton _devemos enviar um emissário imediatamente para os rebeldes e avisar nossa situação. Sozinhos seremos dizimados!
Enviamos os emissários e começamos a esvaziar o castelo imediatamente. Montamos acampamentos na floresta. Levamos nossas mulheres e filhos e algumas criadas. Algumas delas ainda exitaram em ir, temendo os vampiros. _riu-se Mika.
_Tolas! _revoltei-me. _Não há vampiros nas redondezas de nosso castelo. Vampiros preferem o Cheile e as estradas.
Mika finalizou:
_Os primeiro grupo rebelde ainda chegou a tempo de nos ajudar a montar o acampamento. Nos três dias que se seguiram, sete novas levas de rebeldes apareceram para se juntar a nós. Todos rogaram a nós para que iniciássemos um novo comando, uma vez que a resistência estava dispersa em bandos sem unidade desde o fim do levante de 62. Aceitamos nossa nova incumbência incondicionalmente.
Sorri quando ele falou isso. Ele continuou:
_Ainda vimos de longe quando nossos inimigos finalmente chegaram no castelo. Ficaram aparvalhados. Vimos quando conde Vladmir, irado, deu ordem para os soldados incendiassem tudo. Mas Traian novamente o conteve. Eles então passaram a usar nosso castelo como quartel.
_Eu empalaria e queimaria aquele baixote infiél vivo, se ele incendiasse nosso castelo. _ameaçei irada.
Mika riu levemente e prosseguiu:
_Tivemos tempo de nos organizar, pois eles ainda se demoraram em buscar provisões. No início os matávamos facilmente, pois os homens do príncipe não conheciam o terreno. Porém, Traian conhece bem a região e isso os ajudou. Um dia, por acaso, topamos com uma tropa liderada por ele. O combate que seguiu foi rápido e violento. Primeiro trocamos tiros, depois lutamos à espada. Perdemos dois companheiros. Nicolae não estava conosco. Papai lutou como nunca, desarmou e feriu Traian com um golpe de espada, no ombro direito. Porém, a atitude suicida, que passou a ter desde que você desapareceu, acabou por lhe custar a vida... Traian também o feriu... com um golpe de adaga no fígado...
Ao ouví-lo dizer isto, simplesmente baixei a cabeça e comecei a soluçar baixinho. Mika começou a acalentar meus cabelos e continuou:
_O levamos para o acampamento, mas não havia esperança. Ele próprio nos certificou disso. Ainda sobreviveu uma hora, o suficiênte para nos despedirmos dele... Ele nos fez prometer que encontraríamos você... e parece que consegui cumprir a promessa... _concluiu com lágrimas nos olhos.
_Onde o enterraram? _indaguei com voz sumida.
_No mosteiro. Tivemos de fazer um sepultamento secreto, de madrugada. Sua cova é marcada apenas por uma figueira. Quando tudo isso acabar, o enterraremos em nosso jazigo. _prometeu Mika.
_Como está papai?...
Ele se manteve calado por um momento, baixou a cabeça, a ergueu novamente e disparou:
_Papai está morto!...
Engoli a notícia com dificuldade. Uma grossa lágrima começou a rolar de meu olho direito e tomei fôlego para continuar.
_Como aconteceu?...
_Numa emboscada...
Rilhei os dentes e começei a soluçar. Mihail prosseguiu:
_Estamos em guerra, Irina. Nossa família está fora da lei agora, em guerra contra o príncipe novamente. E tudo... por sua causa.
_Como assim? _espantei-me.
_Estávamos tentando viver em paz quando você desapareceu. Conde Vladmir culpou papai por seu desaparecimento e o acusou de incesto.
_O que?!... _sobressaltei-me, levantando da cadeira.
_Sim... Ele acusou papai de ter um caso incestuoso com você e de escondê-la. Foi até o príncipe e disse que papai havia garantido sua mão a Ferencz. Defendeu que ele não honrou sua palavra por conta do crime que cometia com você. Acusou então papai de loucura e disse que queria resgatá-la e fazer valer o direito que tinha sobre você.
_Bandido!!!... Ele nunca teve, nem nunca terá qualquer direito sobre mim!!!... _vociferei.
_O fato... _continuou Mika _é que o príncipe não apenas concedeu ao conde o direito de resgate, como o de prender papai, sob a acusação de insanidade.
_Como?!... O príncipe é quem é louco!...
_O problema, Irina... _interrompeu-me Mika _é que papai matou Ferencz!...
_O que?!... _surpreendi-me.
_Foi numa manhã que tudo se deu... _prosseguiu Mika _Conde Vladmir, Ferencz e alguns de seus homens chegaram no castelo. Traian também estava com eles.
_Maldito!... _rosnei com os dentes rilhados.
Mika continuou:
_Eu, papai, Nicolae e Marton descemos armados para recebê-los. O conde então perguntou por você, acusou papai de escondê-la e disse que se não a entregasse, iria até o príncipe. Papai respondeu que não sabia onde você estava e que me mesmo se soubesse, jamais a entregaria. Ferencz então o insultou:
_Devolva-a, seu cão mentiroso e incestuoso!
Papai ficou possesso... Na verdade, desde que você foi para o castelo de tio István, ele perdeu o controle de si, bebia muito e vivia irritado. Ele já estava alto quando o conde chegou. Com a provocação de Ferencz... ele explodiu:
_Cale sua boca suja, seu porco infiel imundo!
Montado, Ferencz atirou-se ele. Mas papai, como era seu costume, trazia sempre uma adaga escondida atrás na cintura. Puxou-a e atingiu o cavalo na testa, entre os olhos, fazendo-o cair. Ferencz ficou com a perna presa sob o corpo do cavalo, tentando se desvencilhar. Antes que ele o fizesse, porém, papai puxou a espada... e o decapitou...
_Que glória!... _exultei chorando.
Mika prosseguiu:
O conde gritou desesperado quando viu seu filho morrer:
_Ferencz!... Não!... Nããããooo!...
Papai, porém, estava fora controle... Apanhou a cabeça de Ferencz pelos cabelos e jogou-a para o conde dizendo:
_Tome a cabeça de sua cria asquerosa, sua serpente imunda!
O conde ainda quis lançar-se contra papai, mas Traian o conteve.
_Não faça isso, conde! Suporte sua dor! Não seja tolo! Não podemos perder a razão, ele agora é um criminoso. Vamos nos retirar. Levaremos o corpo de Ferencz como prova de sua loucura para o príncipe. Voltaremos mais tarde... com dez vezes mais homens!...
_Víbora!... _acusei.
Mika continuou:
_Eles juntaram o corpo de Ferencz e partiram. Nós entramos e começamos a planejar nossa defesa, sabíamos que, a partir daquele momento, estávamos fora da lei. Sabíamos que eles voltariam já acompanhados pelas tropas do príncipe. Concluímos que ficar no castelo seria tolice. Sigismond quer apenas um pretexto para nos punir e papai lhe dera muito mais que um motivo. Por isso, Marton sugeriu:
_Temos de nos esconder na floresta! Prepararemos armadilhas e escaramuças.
_Certo! _concordou papai.
Marton prosseguiu:
_Os criados devem se dispersar pela vila. Os idosos e doentes devem ir para o mosteiro. Levaremos apenas aqueles que forem fortes e hábeis com armas. Deixaremos para o exército do príncipe apenas um castelo vazio e sem provisões.
_Certamente! _concordou Nicolae.
_E mais _concluiu Marton _devemos enviar um emissário imediatamente para os rebeldes e avisar nossa situação. Sozinhos seremos dizimados!
Enviamos os emissários e começamos a esvaziar o castelo imediatamente. Montamos acampamentos na floresta. Levamos nossas mulheres e filhos e algumas criadas. Algumas delas ainda exitaram em ir, temendo os vampiros. _riu-se Mika.
_Tolas! _revoltei-me. _Não há vampiros nas redondezas de nosso castelo. Vampiros preferem o Cheile e as estradas.
Mika finalizou:
_Os primeiro grupo rebelde ainda chegou a tempo de nos ajudar a montar o acampamento. Nos três dias que se seguiram, sete novas levas de rebeldes apareceram para se juntar a nós. Todos rogaram a nós para que iniciássemos um novo comando, uma vez que a resistência estava dispersa em bandos sem unidade desde o fim do levante de 62. Aceitamos nossa nova incumbência incondicionalmente.
Sorri quando ele falou isso. Ele continuou:
_Ainda vimos de longe quando nossos inimigos finalmente chegaram no castelo. Ficaram aparvalhados. Vimos quando conde Vladmir, irado, deu ordem para os soldados incendiassem tudo. Mas Traian novamente o conteve. Eles então passaram a usar nosso castelo como quartel.
_Eu empalaria e queimaria aquele baixote infiél vivo, se ele incendiasse nosso castelo. _ameaçei irada.
Mika riu levemente e prosseguiu:
_Tivemos tempo de nos organizar, pois eles ainda se demoraram em buscar provisões. No início os matávamos facilmente, pois os homens do príncipe não conheciam o terreno. Porém, Traian conhece bem a região e isso os ajudou. Um dia, por acaso, topamos com uma tropa liderada por ele. O combate que seguiu foi rápido e violento. Primeiro trocamos tiros, depois lutamos à espada. Perdemos dois companheiros. Nicolae não estava conosco. Papai lutou como nunca, desarmou e feriu Traian com um golpe de espada, no ombro direito. Porém, a atitude suicida, que passou a ter desde que você desapareceu, acabou por lhe custar a vida... Traian também o feriu... com um golpe de adaga no fígado...
Ao ouví-lo dizer isto, simplesmente baixei a cabeça e comecei a soluçar baixinho. Mika começou a acalentar meus cabelos e continuou:
_O levamos para o acampamento, mas não havia esperança. Ele próprio nos certificou disso. Ainda sobreviveu uma hora, o suficiênte para nos despedirmos dele... Ele nos fez prometer que encontraríamos você... e parece que consegui cumprir a promessa... _concluiu com lágrimas nos olhos.
_Onde o enterraram? _indaguei com voz sumida.
_No mosteiro. Tivemos de fazer um sepultamento secreto, de madrugada. Sua cova é marcada apenas por uma figueira. Quando tudo isso acabar, o enterraremos em nosso jazigo. _prometeu Mika.

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