domingo, 9 de outubro de 2011

PINTASSILGO




















A recuperação de Mihail levou alguns dias. A febre ia e voltava, fazendo-o tremer e delirar. Por fim acabou por ceder. Quando finalmente retomou a consciência, olhou para mim e apertou-me levemente a mão.
_Irina... _disse baixinho, sorrindo.
_Descanse, Mika, descanse... _respondi acariciando-lhe a testa.
No dia seguinte, ele conseguiu finalmente sentar-se à beira da cama. Ainda sentindo dores devido ao tiro. Eu lhe dava de comer e já fazia algumas perguntas:
_Irina... que lugar... é este?...
_Um lugar onde você está seguro. Vamos, tome a sopa.
_Nós... Ai!... procuramos tanto... por você...
_Cuidado quando se mexer. Não se preocupe com isso agora, quando você estiver melhor lhe contarei tudo.
Para minha felicidade a recuperação de Mihail foi até rápida. Um belo dia ele saiu do quarto, passeou pelo castelo e conheceu os criados. Ao saber disso, Oanna foi ao seu encontro e o saudou:
_Ora vejam só, nosso hóspede já está de pé. Espero que esteja gostando de minha morada, sou Oanna Danesti.
_Grato por sua hospitalidade, Oanna. _respondeu.
_Se quiser tomar a sopa conosco, na mesa, pode me acompanhar. _convidou Oanna.
_Sim, claro.
Depois da sopa, eu e Mika fomos conversar no jardim.
_Por que desapareceu, Irina?
_Não fugi, fui... _embaracei-me _Não sei como lhe contar isso...
_Você apareceu para mim, na floresta...
_Sim...
_Você sabe. Então... não foi um sonho... e nem um delírio.
_Não... _respondi já chorando.
_Era... você mesma...
_Sim...
_Mas... como?...
_Sou uma vampira, Mika...
_O que?...
_Sou uma vampira. Não fugi do castelo de nosso tio. Simplesmente fui encantada por quatro vampiras... Elas me transformaram... nisso... _expliquei com lágrimas escorrendo dos olhos.
Ele olhou para mim, cheio de ternura, enxugou minhas lágrimas com a mão, delicadamente e disse:
_Mas você... está tão normal, tão linda... Parece até... mais bonita do que você era...
_Sim, eu sei... Mas não sou mais que era antigamente. Sou uma amaldiçoada... Você mesmo viu.
Ele silenciou por um instante e depois falou:
_Eu nunca realmente acreditei... que essas coisas existissem. Via algumas pessoas serem apontadas como vampiros. Pensava serem apenas pessoas doentes.
_Não, Mika. É uma maldição. Pode ver como uma doença se quiser. Saiba apenas que é real.
_Como fez aquilo? Como se transformou... naquele lobo?
_É muito complicado para explicar agora, Mika. Quero apenas que saiba... que jamais abandonei você. Jamais abandonei minha família... _respondi com as lágrimas escorrendo novamente.
_Nós chegamos a pensar... que você estivesse morta.
_Sim... de certa forma... eu estou morta... Ou quase morta.
_Mas você está bem. Está linda...
_Mas não sou mais a mesma, acredite. Veja...
Estendi o braço. Uma maçã arrancou-se do galho e voou até minha mão. Mihail arregalou os olhos. Expliquei:
_Consigo fazer isso... e outras coisas também. Veja...
Um pintassilgo estava saltitando no telhado. Ergui a mão e olhei para ele. Encantado, ele voou e se empoleirou em meu dedo. Mika riu.
_Que bonitinho! _exclamou.
Sorri e acariciei o bichinho. Mika começou a comer a maçã.

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