
É realmente muito estranha a relação entre vampiros e ciganos. Eles parecem nos conhecer muito bem. São as únicas pessoas, que se arriscam a ter um contato mais direto conosco. Fora eles, apenas János faz isso. Não conheci outro curandeiro até agora, por isso me impressiono com a atitude de János. Certa noite, tive um encontro inusitado e engraçado. Estávamos eu e Calidora colhendo as flores da primavera, já de madrugada, bem tarde. Apenas a luz da lua cheia nos iluminava. Afastei-me um pouco dela, pois fui até Eni, que teimava com Dácio por alguma coisa. Cuidadosa, virei-me para certificar-me de que sua mãe ainda estava por perto. Ela estava ali, à beira de uma das muitas trilhas da floresta, ajeitando o penteado e cantarolando.
De repente, um ponto de luz surgiu e começou a se aproximar na estrada. Uma figura atarracada, caminhando a passos curtos e apressados, aparece. Segurando uma lanterna na mão esquerda e uma sacolinha de ervas na dobra do braço direito _para minha surpresa! _vinha Madame Dorka!... Ela demonstrou um ligeiro sobressalto ao ver Calidora e fez o sinal da cruz. Prosseguiu então em seu caminho, passando por minha amiga balbuciando alguma oração. Calidora ainda olhou para a velha parteira, simplesmente soltando um leve riso ao notar sua evidente apreensão.
Eu sabia que Calidora jamais faria qualquer coisa contra ela, pois isso seria angariar a ira de todas as comunidades em volta, dos pastores, aos nobres. Todos precisavam dela para fazer partos, abortar filhos indesejáveis e preparar infusões. Quando a vi, também receei que me visse, pois não desejava que me reconhecesse. Preferia ser tida como morta, do que dar a saber de minha maldição a papai, aos meus irmãos e, sobretudo, a frei Emil. Naquele momento, meu coração gritava: "_Pelo mistério que rege o universo _seja qual seja! _quanta saudade sinto de todos eles!..."
De repente, um ponto de luz surgiu e começou a se aproximar na estrada. Uma figura atarracada, caminhando a passos curtos e apressados, aparece. Segurando uma lanterna na mão esquerda e uma sacolinha de ervas na dobra do braço direito _para minha surpresa! _vinha Madame Dorka!... Ela demonstrou um ligeiro sobressalto ao ver Calidora e fez o sinal da cruz. Prosseguiu então em seu caminho, passando por minha amiga balbuciando alguma oração. Calidora ainda olhou para a velha parteira, simplesmente soltando um leve riso ao notar sua evidente apreensão.
Eu sabia que Calidora jamais faria qualquer coisa contra ela, pois isso seria angariar a ira de todas as comunidades em volta, dos pastores, aos nobres. Todos precisavam dela para fazer partos, abortar filhos indesejáveis e preparar infusões. Quando a vi, também receei que me visse, pois não desejava que me reconhecesse. Preferia ser tida como morta, do que dar a saber de minha maldição a papai, aos meus irmãos e, sobretudo, a frei Emil. Naquele momento, meu coração gritava: "_Pelo mistério que rege o universo _seja qual seja! _quanta saudade sinto de todos eles!..."
Um, ou dois dias depois desse inusitado encontro, Calidora insistiu para que eu conhecesse um cigano. Até então, eu evitava entrar em contato com eles, me mantendo escondida, enquanto ela negociava e se prostituía. Mas desta vez ela insistiu tanto, que aceitei. Fomos para a encruzilhada e eles apareceram, por volta de uma hora da madrugada. Eram três, os outros dois do primeiro encontro, mais um jovem pequeno e forte, de cabelos longos, negros, e olhos vivos. Parecia mesmo um manó. Ele apresentava uma indisfarsável insegurança diante de nós, embora tentasse escondê-la. Por outro lado, eu também me mostrava calada e defensiva. Calidora, porém, logo dissipou a tensão reinante:
_Mircea, Demétrio, como estava ansiosa! _disse sedutora, abraçando-os e beijando-lhes as faces.
Mircea, o mais alto, lhe respondeu em um koiné horrível, mas inteligível.
_Ansiosos estávamos nós, minha fada!
Calidora riu sedutora e vaidosa. Ele então apresentou o novo amigo.
_Este é Ivan, um dos nossos mais valorosos irmãos. É jovem, potente e quer conhecer o sabor das vampiras.
_Não irá se arrepender, Ivan! _respondeu Calidora, passando a mão sedutoramente no rosto do rapaz.
Notei que Ivan estremeceu levemente ao sentir o toque de Calidora. Ela notou e começou a encantá-lo:
_Como é forte este pequeno! _disse maliciosamente, passando a mão em seu peito e arranhando-o levemente com suas unhas longas.
Ivan sorriu e notei já seu desejo quase possesso. Neste instante, para contê-lo, Calidora resolveu me apresentar aos demais:
_Queridos, esta aqui é Irina. Ela é um pouco tímida, mas é linda e sedutora. _disse rindo leve e maliciosamente. Em seguida, chamou-me _Venha, Irina! _chamou acenando para mim.
Aproximei-me sem sorrir. Mircea comentou:
_Parece arisca esta vampira.
_Ela é tímida. _suavizou Calidora.
Ivan olhou para mim como se eu tivesse possuído sua alma. Não tirava os olhos de mim. Calidora então acariciou meus cabelos e, arranhando levemente meu rosto com suas unhas, provocou:
_Ela é linda, não é, Ivan! Quer ela?... Pode tê-la... Aliás, além de linda, ela meio magiar e meio romena. Qual das duas línguas você fala?...
_Ela é linda, não é, Ivan! Quer ela?... Pode tê-la... Aliás, além de linda, ela meio magiar e meio romena. Qual das duas línguas você fala?...
Mircea arregalou os olhos de desejo com a nova informação e antecipou-se, falando em um romeno cheio de seu esquisito sotaque:
_Todos falamos romeno, minha fada!
Calidora então estendeu o braço para Ivan e convidou:
_Venha, Ivan! Venha conhecer minha amiga!...
Alucinado, o pequeno cigano se aproximou. Tinha receio de me tocar, pois fazia menção de estender a mão, mas recuava. Calidora o ajudou, pegando sua mão e juntando à minha. Então o puxou para junto de mim e ordenou:
_Va! Vá com ela!
Relutante, mas alucinado por mim ele começou a caminhar segurando-me pela mão. Eu fui com ele, sem contestar, pois sabia que suas ações dependeriam das minhas, afinal, ele estava tomado. Fomos até uma imensa pedra e ele, com um gentil gesto de mão, pediu para que eu sentasse no chão, recostada à pedra. Sentei e ele sentou-se em seguida. Ele então começou a tocar-me o rosto, os olhos repletos de admiração. Então começou a balbuciar em romeno:
_Linda! Você é linda!...
Eu permaneci séria e ele se afastou, apresentando um respeito quase religioso. Não querendo assustá-lo, passando-lhe uma imagem carrancuda, toquei levemente seu rosto. Ele então envolveu minha mão entre as suas e começou a beijá-la com sofreguidão. Logo em seguida esfregou seu rosto nela. Aquilo não era apenas desejo, era uma adoração. Foi quando notei o poder sedutor de minha nova natureza. Com cuidado, toquei-o novamente no rosto e, aproximando, devagar, meus lábios dos dele, o beijei. O beijo começou com um mero toque de lábios, para depois se tornar um envolvente abraço com duas bocas consumindo uma à outra. foi quando senti que seu calor me aquecia como uma lareira acesa.
Puxei-o então, cuidadosamente, para cima de mim e deitei. Abri suavemente minha himation e lhe mostrei meu corpo. Seus olhos mostraram-se mais alucinados que nunca. Suas mãos, maravilhosamente quentes, sentiram então meus seios e meu ventre, escorrendo até meu sexo. O calor me inundava. Suavemente, ele abriu minhas pernas e aproximou-se para se alimentar de minha vulva. Começou suave como a abelha que colhe o pólem. O toque quente de sua língua me inundava de um prazer indescritível. Encheu-se então de gula, como um vampiro que suga o sangue de sua vítima. E como furioso vampiro, afastou-me as coxas sem pudor, abocanhou-as e sugou minha flor, até ela escorrer todo seu nectar. Fazia tempo que não sentia este êxtase.
Ainda furioso, ele livrou-se de suas roupas e deitou sobre mim. Senti-o entrar como um aríete, mas não me queixei, seu calor era o que eu mais queria. Seu membro era como uma barra de ferro em brasa, que me ardia por dentro, dando-me um prazer indescritível. Deixei-o estocar até seu leite grosso esguichar em minhas entranhas. Este era como uma ardente e sagrada cera derretida, que ao abrasar as profundezas de meu ventre, fazia-o ferver de êxtase, escorrendo seu caldo em ebulição por entre minhas pernas.
Cansado, ele deitou sua cabeça sobre meus seios. Acariciei seus cabelos, de forma maternal. Seu calor me era indescritivelmente prazeroso e eu não queria que ele se recuperasse tão cedo. Por um breve momento, entendi Calidora e as vampiras que me atacaram. Como era bom sentir aquele calor! Como era bom!...
Quando ele se recuperou, levantou-se como se despertando assustado de um sonho. Vestiu rápido suas roupas e dizia alguma coisa em sua língua, que entendi ser alguma preocupação com seus companheiros. Ele foi até eles. Não me levantei, apenas voltei-me levemente para ver Calidora e os demais ciganos. Para variar, já estavam copulando. Não queria importuná-los, apenas queria estar ali, sentido aquele calor que impregnava o ar e a terra à minha volta.
Permaneci então ali, enquanto Calidora agora recebia Ivan entre suas pernas. Deitei de braços abertos e olhei para o céu. Reconheci a Estrela Dalva, que frei Emil me explicou ser o planeta Vênus. Agradeci à deusa que dera nome à estrela, por sua benevolência. Pelo menos ela!... me redimia...
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