
No dia seguinte ao que estive com Ivan, notei que estava mais forte e cheia de energia. Sentei-me diante do espelho para me pentear notei que estava linda! Minha pele estava rosada, meus olhos de um azul brilhante. Eu era toda vida e beleza. Perguntei à Calidora sobre esta mudança e ela disse:
_"Nem só de pão vive o homem", não é isso que dizem vocês cristãos? Pois nem só de sangue vivem as lâmias, mas de qualquer essência vital, seja humana, ou animal: do sperma, do leite materno, até mesmo do calor e da respiração.
_Sperma? _estranhei.
_Sim, é como chamamos, em grego, o "leite" que sai do membro dos homens.
_Não o conhecia por este nome.
_Pois agora conhece e também o seu poder. Digo a você, Irina, que mais vale sorver o sperma dos homens, do que seu sangue. É dele que provém a vida. Todos os seres carnais nascem dele. Sua diferença para com o sangue é que o sangue jorra em abundância, o sperma vem sempre em menor quantidade. Porém, é concentrado. Um pouco dele nos nutre muito.
_Por quanto tempo? _interessei-me.
_Um homem saudável lhe mantém por três dias. _respondeu.
Sorri em resposta. Ela continuou:
_E quanto mais homens, mais sperma. É por isso que estou sempre de braços abertos para os ciganos. _arrematou sorrindo maliciosamente.
_Mas... podemos engravidar? _indaguei, bem a propósito.
_Por quanto tempo? _interessei-me.
_Um homem saudável lhe mantém por três dias. _respondeu.
Sorri em resposta. Ela continuou:
_E quanto mais homens, mais sperma. É por isso que estou sempre de braços abertos para os ciganos. _arrematou sorrindo maliciosamente.
_Mas... podemos engravidar? _indaguei, bem a propósito.
_Somos terra estéril, Irina. _sentenciou Calidora. _Nenhuma semente em nós germina, pois morremos toda vez que adormecemos.
Compreendi suas palavras muito claramente e me entristeci. Olhei para Eni, ali perto, ao seu lado e meu coração apertou. "_Que sorte tem ela de já ter seus filhos..." _pensei cheia de mágoa. Levantei-me então e fui caminhar pela floresta, as lágrimas escorrendo pelas faces. Caminhei por muito tempo, remoendo a dor de tão grande condenação. Jamais teria minha Lísia, minha Matuanka, minha Eni... A ira explodiu dentro de mim. Agredi as plantas e árvores à minha volta. Com minhas unhas, arranquei galhos. Atirei pedras para todos os lados. Gritei!
_Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh!!!...
Cai por terra, chorei! Chorei muito!... Quando a tempestade acalmou, uma sombra desceu sobre mim. Meu coração se fechou. Cheia de fel, pensei: "_Terei então todos os homens do mundo aos meus pés! Serei a deusa do prazer e da morte! Todo sperma e todo sangue do mundo serão meus!".
_Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh!!!...
Cai por terra, chorei! Chorei muito!... Quando a tempestade acalmou, uma sombra desceu sobre mim. Meu coração se fechou. Cheia de fel, pensei: "_Terei então todos os homens do mundo aos meus pés! Serei a deusa do prazer e da morte! Todo sperma e todo sangue do mundo serão meus!".
A partir deste dia, uma mudança profunda se operou em mim. Tornei-me licenciosa e má. Já não me esquivava dos ciganos, bem ao contrário. Não apenas recebia o pequeno Ivan, como todos os seus companheiros. Esperava ansiosa a chegada da lua cheia e não me apresentava mais fechada e carrancuda, porém frívola e sensual. Pedi então à Calidora que me confeccionasse himantions mais provocantes. Ela fez duas de seda: uma negra, outra vermelha. Ambas translúcidas e semi-transparentes. Ambas eram abertas aos lados, cobrindo-me apenas pela frente e por trás, com um cordão cingindo à altura dos rins. Passei a usar o rosto muito maquiado, como o dela, assim como a abusar dos perfumes.
Estava absolutamente entregue à luxúria... e à perversidade. No lago, não apenas me insinuava lascivamente para os contrabandistas _mostrando meu corpo, rindo e nadando como uma sereia lúbrica _como era cruel em meus ataques. Fazia questão de lhes infligir dor. Mordia-os primeiro nos pulsos, para vê-los gritar e sangrar. Em seguida, puxava-os como uma leoa, dilacerando a carne de seus membros com minhas longas e afiadas unhas. Quando afundava minhas presas em suas as gargantas, balançava a cabeça para esgarçar a carne. O sangue espirrava para todos os lados.
Num desses ataques ensandecidos, um contrabandista conseguiu se desvencilhar e mergulhar na água. Calidora se irritou:
_O que está acontecendo com você?... Está louca?!
Mergulhou então atrás do romeno, demorou-se lá embaixo e, quando retornou, veio de cara fechada. Sem falar comigo, nadou até a margem do lago. Uma vez em terra, tentei conversar:
_Calidora...
_Você não virá mais comigo! _vociferou ela. _De hoje em diante, não me acompanhará mais, nem no lago, nem na estrada! Pelo que vejo, logo começará a esturricar à luz do sol!...
Uma vez proibida de ter sangue, viciei-me em sperma! Para além dos dias combinados, passei a receber os ciganos sem o conhecimento de Calidora, nos dias que bem entendesse. Alta, branca, dona de dois grandes olhos azuis, de longos, sedosos e ondulados cabelos cor de fogo, além de um corpo voluptuoso, de traseiro insinuante _ávido por sodomia! _logo me tornei sua preferida. Eles vinham aos montes! Grandes, pequenos, jovens, velhos, gordos, magros, coxos, manetas, todos loucos por mim! E eu os recebia sempre lasciva e despudorada, deixando que se chegassem de dois, ou três ao mesmo tempo _esfomeados! _enchendo suas mãos com meus seios, coxas, ancas, nádegas... com meu sexo!...
Estava absolutamente entregue à luxúria... e à perversidade. No lago, não apenas me insinuava lascivamente para os contrabandistas _mostrando meu corpo, rindo e nadando como uma sereia lúbrica _como era cruel em meus ataques. Fazia questão de lhes infligir dor. Mordia-os primeiro nos pulsos, para vê-los gritar e sangrar. Em seguida, puxava-os como uma leoa, dilacerando a carne de seus membros com minhas longas e afiadas unhas. Quando afundava minhas presas em suas as gargantas, balançava a cabeça para esgarçar a carne. O sangue espirrava para todos os lados.
Num desses ataques ensandecidos, um contrabandista conseguiu se desvencilhar e mergulhar na água. Calidora se irritou:
_O que está acontecendo com você?... Está louca?!
Mergulhou então atrás do romeno, demorou-se lá embaixo e, quando retornou, veio de cara fechada. Sem falar comigo, nadou até a margem do lago. Uma vez em terra, tentei conversar:
_Calidora...
_Você não virá mais comigo! _vociferou ela. _De hoje em diante, não me acompanhará mais, nem no lago, nem na estrada! Pelo que vejo, logo começará a esturricar à luz do sol!...
Uma vez proibida de ter sangue, viciei-me em sperma! Para além dos dias combinados, passei a receber os ciganos sem o conhecimento de Calidora, nos dias que bem entendesse. Alta, branca, dona de dois grandes olhos azuis, de longos, sedosos e ondulados cabelos cor de fogo, além de um corpo voluptuoso, de traseiro insinuante _ávido por sodomia! _logo me tornei sua preferida. Eles vinham aos montes! Grandes, pequenos, jovens, velhos, gordos, magros, coxos, manetas, todos loucos por mim! E eu os recebia sempre lasciva e despudorada, deixando que se chegassem de dois, ou três ao mesmo tempo _esfomeados! _enchendo suas mãos com meus seios, coxas, ancas, nádegas... com meu sexo!...
Empinada como a égua, quantas vezes não fiz tremer o carvalho e a faia, enquanto o varão cigano tomava-me furiosamente por trás, fosse pela natureza, fosse pela sodomia. Quantas vezes não montei em um e deixei-me montar por outro _sendo possuída por dois ao mesmo! _rebolando convulsivamente, até que seus membros vomitassem seu quente e precioso sperma em minhas entranhas! Isso, de tanto prazer que me causava, tornava-me feroz, fazendo-me gritar, rosnar, urrar e revolver os cabelos. Meus olhos vidravam e minhas presas aguçadas saltavam. Neste momento, os espectadores exultavam, afiando as adagas de entre suas pernas.
Sendo uma deusa de luxúria, enchi-me de presentes, que iam de doces finos, até joias de ouro e pedras preciosas. Dava a maior parte dos doces à Dácio e Eni, mas tornei-me ciosa de minhas joias. Embevecida de vaidade, passava muito tempo diante do espelho penteando-me, maquiando-me e admirando minha própria beleza. Toda esta volúpia não demorou a semear a discórdia entre mim e Calidora. Uma noite ela se queixou:
_Vejo que agora você não quer mais me ajudar nos afazeres "de casa" e tornou-se escrava desse espelho.
_Tenho de cuidar de minha aparência, os ciganos são exigentes._Quer ficar com todos os ciganos para você, pelo que vejo!
_São eles que me querem! Não tenho culpa se preferem mais a mim do que a você!
_Maldita hora em que proibi você de me acompanhar! Vejo que voltou a ser a velha patrícia mimada e arrogante! Pois lembre que você não passava de um bicho, quando lhe encontrei, chorando sua miséria na floresta! _ofendeu.
_Cale a boca, sua prostituta! Você tem inveja de mim, porque nunca conseguiu ser nada melhor de que uma puta do Pireu!_ofendi de volta.
A ira então nos tomou e nossas presas saltaram ameaçadoramente. Como duas feras, nos atracamos e rolamos pelo chão, rosnando uma contra a outra. Puxávamos o cabelo uma da outra, nos azunhávamos e derrubávamos tudo à nossa volta. Com nossa fúria enlouquecida, assustamos Eni e a fizemos chorar. O pobre Dácio acorreu para abraçá-la e protegê-la de nossa luta, vertendo lágrimas também. Ao ouvir o choro de Eni, Calidora despertou de sua fúria e correu até ela:
_Filha!... Filha! Não chora!... Perdoa a mamãe!... _rogava desconcertada, enxugando as lágrimas da menina.
Também parei, transtornada. Cheia de culpa, me precipitei para fora da gruta, decidida a ir embora. Ao me ver sair, Calidora arrependeu-se e correu para me deter:
_Filha!... Filha! Não chora!... Perdoa a mamãe!... _rogava desconcertada, enxugando as lágrimas da menina.
Também parei, transtornada. Cheia de culpa, me precipitei para fora da gruta, decidida a ir embora. Ao me ver sair, Calidora arrependeu-se e correu para me deter:
_Não vá, Irina! Por favor, não vá! Você é como minha irmã! Por favor, me perdoe! Não vá!...
Soluçando, com os olhos escorrendo lágrimas, eu tentava me desvencilhar de seus braços e seguir.
_Nã-aaaaaaaaaão!... Nãaaaaaaaahh-ão!!! _gritava descontrolada.
Mas ela insistia:
_Nã-aaaaaaaaaão!... Nãaaaaaaaahh-ão!!! _gritava descontrolada.
Mas ela insistia:
_Por favor, Irina, perdoe-me! Fui tola! Fique! Não vá!... _rogava chorando.
Parei soluçando e ela me abraçou com força. Beijou-me o rosto várias vezes e rogou:
_Não vá, minha irmã! Por favor, não vá!...
Sentei-me sobre uma grande pedra e simplesmente continuei a chorar feito uma criança. Ela se sentou ao me lado, agarrada em mim, chorando. Depois desta briga, tudo voltou a ser como antes.
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