
Depois do desjejum eu e Oanna tivemos uma longa conversa. Ela desculpou-se novamente por não me ter me avisado sobre Drácula e revelou-me que o fez porque desta maneira começaria o meu aprendizado. Senti-me insultada e protestei:
_O que?!... Você me pôs em perigo propositalmente?!... Logo você que se declarou minha protetora!...
_Sim, mas sua instrutora também! Era necessário que conhecesse os perigos do mundo dos mortos. Quanto ao fato de ser sua protetora, tirei você do perigo, não tirei?
_Sim, quando achava que ia ser decapitada pela espada de Drácula!
_Evidente, você tem de saber que pode ser destruída, mesmo no mundo dos espíritos!
_Como pode ser isto? _questionei.
_Seu corpo espiritual não seria realmente destruído por Drácula, mas seu corpo terreno sim. Uma vez que ele cortasse sua cabeça, o cordão luminoso que prende você a seu corpo seria definitivamente cortado. Você desfaleceria e acordaria novamente entre os mortos, porém, desta vez, sem chance de retornar.
_Estaria definitivamente morta!
_Sim, mas não veja isso como um alívio, ao contrário. Uma vez que Drácula cortasse sua ligação com o mundo terreno, sendo o causador de sua morte, ele se apossaria de sua alma. Seu espírito então vagaria neste castelo, ou na floresta ressequida que você viu, sempre à mercê da vontade dele, Drácula!...
Desolada, desabei o rosto entre as mãos. Em seguida desabafei:
_Um de meus maiores consolos era vagar pelo mundo dos mortos. Enquanto vivi na floresta, apenas travei contato com manós, tündérs e mortos inofensivos, almas antigas, com quem dificilmente falava. Minha única experiência ruim foi o contato com o espírito do pastor que matei e este... sequer voltei a encontrar novamente...
Ao me ouvir falar assim, Oanna explicou:
_Os espíritos que encontra em suas viagens pelo reino inferior, variam conforme o lugar em que você está. A floresta possui apenas espíritos de elementais, pastores, almas pertencentes a povos antigos, que aqui viveram na época romana, ou mesmo antes dela. Eles não fazem mal a ninguém, apenas ocasionalmente podem assustar algum viajante incauto, com sua súbita aparição. Mas aqui... é diferente. Aqui o solo se banhou de sangue... durante séculos. Aqui, infelizmente, já foi a morada de Drácula.
_E você me trouxe para cá... onde Drácula reina!... _revoltei-me, quase sussurrando as palavras entre meus dentes rilhados.
_Sim, Irina. Porque era necessário. Necessário para sua segurança aqui entre os vivos, e necessário para seu aprendizado.
_Por que tenho de aprender sobre mais coisas terríveis? Minha existência já não é terrível o suficiênte?
_Sua existência é um paraíso, se comparada à existência de outros vampiros, Irina.
_Nunca vi um vampiro levar uma vida melhor, ou pior. Todos vivem a mesma maldição!
_Não, Irina. As vampiras que lhe amaldiçoaram não vivem melhor que você.
Ri-me e balancei a cabeça de um lado para outro, quando ela citou as pornae. Parecia ser sempre evidente que só elas poderiam ter-me amaldiçoado. E Oanna confirmou o que pensei:
_Sim, apenas estas desgraçadas porderiam ter atacado você! Quem mais seria irresponsável o suficiênte para seduzir e atacar uma nobre?
_Você lê pensamentos? _indaguei já sem muita surpresa.Ri-me e balancei a cabeça de um lado para outro, quando ela citou as pornae. Parecia ser sempre evidente que só elas poderiam ter-me amaldiçoado. E Oanna confirmou o que pensei:
_Sim, apenas estas desgraçadas porderiam ter atacado você! Quem mais seria irresponsável o suficiênte para seduzir e atacar uma nobre?
_Sim, tenho esse poder. _respondeu com sua calma esnobe.
Continuou então:
_Você tem sorte de ser uma mera amaldiçoada. Como eu, aliás. Você não é como as prostitutas que a atacaram, que seriam capazes de devorar sua carne, se sua beleza e seu lindo corpo não atiçasse sua volúpia.
Continuou então:
_Você tem sorte de ser uma mera amaldiçoada. Como eu, aliás. Você não é como as prostitutas que a atacaram, que seriam capazes de devorar sua carne, se sua beleza e seu lindo corpo não atiçasse sua volúpia.
_Como assim? _surpreendi-me.
_Elas pertencem à outra ordem de vampiros, Irina... Elas são demoníacas.
_Demoníacas?... Calidora me falou uma vez que há vampiros que são tão perversos que esturricam quando expostos ao sol. Seriam elas desse gênero? _questionei.
_Sim! _riu-se Oanna. _Para quem teve como escola apenas os lupanres, a vampira grega até que lhe explicou muito bem.
_Porém, ainda continuo não entendendo. _insisti. _Até onde aprendi, todos os vampiros são como os demônios. E até me sinto assim!
Oanna soltou um leviano riso.
_Ah, Irina! Você e tão tola quanto linda! Uma criança realmente!
_Não sou tola! Estudei a lógica de Aristóteles! _respondi malcriada.
_Aristóteles não lhe ajudará nesta matéria, querida! Mas eu sim! E lhe digo que... (tomou um gole de vinho) o que o povo _em sua ignorância e superstição _diz, deve ser desconsiderado! Vampiros da nossa ordem são meros cativos das trevas. Pobres almas forçadas a viver do sangue e do calor alheio, apenas porque não obedeceram às leis divinas, sejam elas quais forem. Porém, as vampiras que lhe atacaram... são demônios hediondos, cujo maior prazer é beber seu sangue, comer sua carne... sugar a medula de seus ossos e sorver todo o calor de seu corpo, até reduzí-lo à cinzas frias... Porém, elas não têm o espírito livre, são como bestas, vivem apenas para seus perversos apetites. _concluiu ela, pondo com o garfo um pedaço de carne de porco na boca.
_Porém, ainda continuo não entendendo. _insisti. _Até onde aprendi, todos os vampiros são como os demônios. E até me sinto assim!
Oanna soltou um leviano riso.
_Ah, Irina! Você e tão tola quanto linda! Uma criança realmente!
_Não sou tola! Estudei a lógica de Aristóteles! _respondi malcriada.
_Aristóteles não lhe ajudará nesta matéria, querida! Mas eu sim! E lhe digo que... (tomou um gole de vinho) o que o povo _em sua ignorância e superstição _diz, deve ser desconsiderado! Vampiros da nossa ordem são meros cativos das trevas. Pobres almas forçadas a viver do sangue e do calor alheio, apenas porque não obedeceram às leis divinas, sejam elas quais forem. Porém, as vampiras que lhe atacaram... são demônios hediondos, cujo maior prazer é beber seu sangue, comer sua carne... sugar a medula de seus ossos e sorver todo o calor de seu corpo, até reduzí-lo à cinzas frias... Porém, elas não têm o espírito livre, são como bestas, vivem apenas para seus perversos apetites. _concluiu ela, pondo com o garfo um pedaço de carne de porco na boca.
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