segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TRAVESSURA




















Após vários passeios noturnos em forma de fumaça _nos quais não tive mais problemas com os demônios _Oanna começou a ensinar-me os poderes com o corpo mortal. Uma noite, quando todos já dormiam, ela levou-me para o pátio. Apontou-me então para o alto e disse:

_Olhe a janela de meu quarto, ali no alto.

Mirei a janela ao alto, depois olhei para Oanna, mexendo os ombros, querendo dizer "e daí!". Ela então sorriu maliciosamente e caminhou até a parede. Como o pátio estivesse bem iluminado pelas lanternas, assustei-me mais uma vez com o que vi. Como se fosse uma lagartixa, ela subiu as paredes do castelo, até seu quarto, com desenvoltura e rapidez. Sua camisola esvoaçava levemente, como se o vento a carregasse. Era fantasmagórico! Entrou então pela janela de seu quarto e acenou, me chamando.

_Venha! _dizia do alto.

_Como faço? _indaguei de baixo.

_Inspire e depois expire, imaginando uma força formar uma bolha em volta de seu corpo.

Fechei os olhos e fiz o que ela ordenou. Imediatamente senti uma força emanar de mim e envolver-me toda. Dei alguns passos e senti como se não pisasse no chão, muito embora visse meus pés sobre ele.

_Está sentindo a força? Venha! _encorajou Oanna sorrindo.

Resolutamente caminhei até a parede e, ao tocá-la, minhas mãos como que grudaram a força que as envolvia com uma força que emanava da própria parede. Movi meu braço e senti simplesmente esta redoma de força me puxar pra cima. Toquei com meu pé direito na parede e, com mais um movimento, literalmente fui subindo. Era simples, aquela força invisível fazia eu me grudar e deslocar-me deslizando sobre as superfícies, como se uma imensa teia a tudo cobrisse. Enquanto subia, o vento frio da noite de primavera entrava por minha camisola e a fazia esvoaçar. Rindo como uma criança que faz uma travessura, subi até a janela de Oanna. Ela puxou-me janela adentro, também rindo. Ficamos então feito duas meninas, olhando uma para a outra, às gargalhadas. Quando nos controlamos, ela disse:

_Agora olhe.

E simplesmente começou a descer janela abaixo. Seus cabelos se soltavam como que inflados pelo vento. Quando suas mãos tocaram o chão, ela deu uma pirueta e pôs-se de pé. Ri ao ver aquilo. Ela acenou pedindo para eu descer. Desci, sentindo a mesma teia de força me conduzir para baixo. Era engraçado sentir meus cabelos se inflarem, assim como minha camisola. Ao tocar o chão, fiz questão de dar uma boa pirueta.

_Uwuuuuuuuuhhhh!!! _brinquei, antes de pousar, bem em frente à Oanna.

Ela então segurou-me pelos braços e começou a rir. Rimos feito duas tolas, uma olhando a cara da outra. Ela então puxou-me e começamos a dançar, pulando e rodopiando. Nesta noite, escalamos paredes, muros, árvores, o que encontramos pela frente. Por fim, colhemos cerejas, comemos e jogamos conversa fora, até a aurora nos mandar para a cama.

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