sábado, 30 de julho de 2011

MAGIA


Morgan Le Fay - Anthony Frederick Sandys.



Devo confessar que, da mesma maneira que aceitei me entregar aos ciganos, aceitei atender aos clientes de Oanna. Fui o presente de Liev naquela noite. Não sei o que é pior na maldição: a prostituição, o assassinato, ou a bestialidade. Talvez o inferno seja isso: a eterna condição de jamais viver com virtude. "Deixai aqui toda esperança, ó vós que entrais!", está escrito à porta do Inferno, na Comédia de Dante. Deixai aqui toda dignidade... talvez devesse estar escrito assim. Penso que o infiel Calvino possa estar certo, alguns nascem predestinados ao Céu, outros... ao Inferno.
Numa tarde de outono _numa tentativa de melhorar suas relações comigo _Oanna levou-me até uma parte do castelo que ainda não conhecia. Mostrou-me então o que parecia ser um imenso poço, selado com uma imensa tampa redonda, de madeira. Ela porém me explicou:
_Isto não é um poço, é uma cela, uma cela sem teto. Foi feita assim para que o prisioneiro que aqui estivesse penasse com o sol e a chuva, além do frio. Aqui esteve preso Drácula, antes de vencer e matar meu pai. Quando você chegou, esta cela estava aberta, por isso o espírito de Drácula encontrou você, pois é por aqui que ele entra neste castelo.
_Pelo visto, você não teme encontrá-lo... _conclui levemente malcriada.
_Eu tenho outras formas de bloqueá-lo. _rebateu ela prontamente. _Por ora, saiba apenas que enquanto esta sela estiver tampada, você estará segura. E eu lhe prometo, não mandarei tirá-la daí, enquanto não estiver pronta para construir suas próprias defesas, como eu.
_E quando isto acontecerá?
_Se quiser, posso começar a ensiná-la agora.
Respondi concedendo-lhe um leve sorriso. Ela então me levou para o porão. Lá, em um canto que mais parecia uma rude capela subterrânea, alguma coisa coberta por um roto pano nos aguardava, iluminada por cinco castiçais. Oanna aproximou-se da "coisa" e tirou o pano.
_O Diabo! _espantei-me.
_Não! Baphomet! Senhor da sabedoria oculta, cujos mistérios eram desvendados pelos antigos templários. _explicou.
Aproximei-me um tanto hesitante da estátua de mármore _com um temor injustificado para minha nova condição _e toquei-a. O primeiro detalhe que me chamou a atenção foram as inscrições solve e coagula, grafadas uma em cada braço. Oanna continuou:
_Minha casa pertence à ordem teutônica, que continuou a tradição dos templários, depois que a Igreja os traiu e dizimou. _disse respirando orgulho, enquanto acariciava a imagem.
_Ainda não entendo essas coisas... _confessei.
_Agora entenderá! _respondeu ela apertando levemente meu ombro, com um leve e honesto sorriso nos lábios.
A partir daquele dia, passou a me ensinar magia.

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