quarta-feira, 6 de julho de 2011

SÁTIROS E NINFAS





















Arthur Fisher - Sátiro e Ninfa.



Contrariando totalmente ao desejo de Oanna, não desci. Fechei-me em meu quarto e lá permaneci, pensando em algum outro lugar para onde pudesse ir e ficar segura. Não fugiria do castelo, ao contrário, enfrentaria Oanna. Manteria minha vontade a qualquer preço. Não tinha medo de morrer e seria capaz me tornar a pior das feras, destruindo e matando tudo à minha volta. Irada, chorava e maquinava desgraças. De repente, ouvi três batidas na porta, em seguida, ela se abriu e surgiu Dorotheea.
_A senhora ordenou que você descesse comigo imediatamente. _disse em tom educado, porém seco.
Rosnei em resposta, mirando a corpulenta criada com o canto dos olhos. Ela se assustou e simplesmente fechou a porta. Ouvi seus passos apressados se afastando pelo corredor. Pouco me importava se ele notasse que era uma vampira ou não, eu estava disposta a tudo. Aguardei por Oanna, pronta para pular em seu pescoço, numa luta de vida ou morte. Durante toda noite, até a madrugada, esperei a porta se abrir e o embate acontecer... mas ele não aconteceu.
Pensei então em simplesmente descer e ir embora. Se Oanna tentasse me deter, eu a mataria. Logo ao passar pelo corredor, pude ouvir risos na sala de banho. Aproximei-me e olhei, com cuidado, para dentro. Tratava-se uma pequena orgia entre dois guardas de Liev e duas criadas de Oanna. Isso não me surpreenderia, não fosse o fato de flagrar a meiga Sanziana nua, molhada, deitada sobre as pernas de um dos guardas, que também estava nu. Ele a segurava e ela ria desavergonhadamente, falando bobagens, tentando pegar um cacho de uvas, que ele matinha propositalmente fora de seu alcance, ora aproximando, ora afastando, como uma isca. Catalina segurava uma das coxas de Sanziana e, com a outra mão, bulinava seu sexo, dando vazão aos seus instintos lesbianos. Deitado ao chão, outro guarda a agarrava por trás. Pareciam mesmo sátiros e ninfas em plena libertinagem num bosque qualquer da Grécia, ou de Roma. Ao contemplar a cena, pensei irritada: "Logo vejo que estou em um bordel!".
A manhã raiou e somente ao meio dia ela bateu em minha porta. Não respondi, apenas a aguardei entrar. Educadamente ela entrou e ficou de pé, olhando para mim, em silêncio. Não olhei em sua direção, apenas esperei seu ataque, ou seu insulto. Já estava pronta para despedaçá-la. Ficamos nesta tensa imobilidade por arrastados minutos, até que ela por fim falou:
_Está disposta à tudo, não é, Irina?...
Rugi levemente de volta, rilhando as presas e mirando-a com os cantos dos olhos, já vermelhos. Ela ainda permaneceu ali parada por um tempo, mas percebendo a inutilidade de qualquer argumento, saiu sem dizer uma palavra, batendo a porta. Ela sabia que não estava lidando com uma reles adolescente. Trancar-me no quarto, como faria uma mãe autoritária, seria selar a própria sentença de morte. Tinha plena consciência de que eu tinha força para espedaçar a porta e ir ao seu encalço. Quando finalmente constatei que ela não retornaria tão cedo, tirei o vestido e pus a camisola. Prentendia descansar, mas não consegui. Quando ouvi novamente ouvi batidas na porta, elas eram leves e cuidadosas. Sem esperar por resposta, a porta se abriu e ouvi a voz quase sussurrante de Steliana:
_Sua refeição, marquesa.
Eu nada respondi. Ela então entrou silenciosa, pôs a bandeja sobre a pequena mesa e saiu, fechando a porta cuidadosamente. Olhei para a bandeja e vi um belo leitão fatiado à minha espera. Ao seu lado, uma jarra com vinho e um copo. Como uma criança emburrada que retorna à calma, ao ver um brinquedo, ou doce, fui até a mesa e saboreei a refeição com tranquila gula. Após terminar, senti-me cansada e adormeci.
Minha alma vagou pelo Hades sem perturbações. Conheci espíritos muito antigos, que se trajavam de forma estranha, mas eram amistosos. Tratava-se de um homem de cabelos brancos e sorriso caloroso e seus dois jovens acompanhantes. Para minha surpresa consegui entender um pouco de sua língua, que me soava parecida com o romeno. Entendi que eles eram dácios, os antigos senhores desta região, e estavam querendo me conhecer. Nossa conversa foi um tanto truncada, mas alegre. Fazia uma manhã linda no Hades e logo surgiram lindas e risonhas crianças que me ofereceram flores. Eram dácias também. Por fim, surgiram mulheres jovens e de mais idade, todas muitos gentis. Não demorou para que eu me mostrasse muito alegre e descontraida, brincando de roda com as crianças. Foi quando a lembrança de Eni e Dácio veio à minha mente e parei de brincar. Meu coração apertou e as lágrimas surgiram. Pus as mãos no rosto e chorei convulsivamente. Quando abri os olhos, já estava de volta ao quarto, com Oanna olhando séria para mim.
_Sua viagem foi tranquila desta vez, não foi, Irina?
Não lhe disse, apenas emburrei o rosto em resposta.
_Quero que saiba que tenho poder de bloquear o acesso de Drácula a você. Faço isso para que entenda que não sou a tirana que imagina.
De repente, Dorotheea entrou no quarto, educadamente, e interrompeu:
_Com sua liscença, senhora. O banho da marquesa está pronto.
_Agradeçida, Dorotheea.
Ela então olhou para mim, ainda séria, por um momento, e em seguida disse:
_Espero que aprecie o banho e relaxe. Se quiser falar comigo, estarei na sala de jantar.
Saiu sem fazer alarde e deixou-me com Dorotheea. Esta se aproximou e falou em tom bem amável, como uma boa babá:
_Vamos, criança, não pode ficar sem acear-se o dia todo.
Levantei-me como uma menina contrariada e ela ajudou-me a tirar a camisola. Conduziu-me então para o banho, dando-me um leve tapa no traseiro.

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