
Me prendi a Dimitru como um carrapato. Ele possuía uma estrutura mais humana de vida. Em sua pequena gruta, guardava uma trouxa com roupas _poucas, de fato, mas ele as tinha _sua flauta e um alaúde, uma garrafa com algo oleoso dentro (banha de porco, vim saber depois), uma caneca de ferro e uma panelinha, também de ferro. Senti cheiro de carne de porco assada, quando entrei em seu "lar" pela primeira vez. Ele percebeu meu desejo e foi gentil:
_Quer?... Não vou comer mais.
Tomei a panela de suas mãos e lambuzei dedos e lábios com o porco. Ele também tinha pão. Perguntei onde ele tinha conseguido aquilo. Ele respondeu:
_Com os ciganos e com János.
_Quem é János?
_Ele é um ermitão. Vive na floresta e colhe ervas.
Lembrei-me imediatamente do homem que me dera malva, quando estava com tia Mónika, em frente ao solar. Indaguei então a Dimitru:
_Como ele é?
_Você o conhecerá, ele provavelmente virá me visitar hoje. Começou a primavera e ele virá aqui, com certeza.
_Por que?
_Ele colhe ervas por aqui. Não quer que eu o confunda e o ataque.
Ri quando ele falou isso. Começava a ver que a vida de um vampiro não era tão desumana assim. Fiquei ali com Dimitru para esperar por János. Ficamos sentados sobre o velho tronco de pinheiro, um ao lado do outro, como um estranho casal. Ele tocava sua flauta e eu embalava a cabeça, ao som da música. Era meio dia _e como o inverno ainda não findara de todo _o dia nublado ainda nos permitia ficar fora. Como Dimitru previra, János apareceu e era quem eu pensava. Chegou tilintando suas quinquilharias, dependuradas sobre sua mula. O chapéu de abas largas e baixas na cabeça, os cabelos longos, com alguns fios grisalhos. Antes mesmo de saudar Dimitru, olhou direto para mim e exclamou alto, em magiar:
_Ora, ora, quem está aqui, senão a jovem marquesa desaparecida!
Baixei a cabeça, tristemente, em resposta.
_Como vai, Dimitru! _saudou János, agora em romeno.
_Já esperava por você.
_Eu sou certo como o galo ao amanhecer! _gabou-se János.
Ele então abraçou Dimitru calorosamente e entregou a ele um odre que trazia ao ombro. Dimitru o abriu imediatamente e tomou um logo gole. Era leite de cabra, que lhe escorria pelos cantos da boca. O leite imediatamente me seduziu e olhei para odre como uma raposa desperta pelo odor da carne. János notou minha gula e disse a Dimitru:
_Não seria mais correto servir as damas primeiro?
Dimitru estendeu o odre em minha direção, oferecendo. Assenti com a cabeça e ele se aproximou e me deu o odre. Comecei a tomar o leite com gula. Não estava fervido e exatamente por isso meu desejo e satisfação eram maiores. János riu e disse bondosamente:
_Isso, tome. É bom.
Em seguida, porém, ele parou de sorrir e cochichou com Dimitru:Ele então abraçou Dimitru calorosamente e entregou a ele um odre que trazia ao ombro. Dimitru o abriu imediatamente e tomou um logo gole. Era leite de cabra, que lhe escorria pelos cantos da boca. O leite imediatamente me seduziu e olhei para odre como uma raposa desperta pelo odor da carne. János notou minha gula e disse a Dimitru:
_Não seria mais correto servir as damas primeiro?
Dimitru estendeu o odre em minha direção, oferecendo. Assenti com a cabeça e ele se aproximou e me deu o odre. Comecei a tomar o leite com gula. Não estava fervido e exatamente por isso meu desejo e satisfação eram maiores. János riu e disse bondosamente:
_Isso, tome. É bom.
_Por que fez isso, Dimitru?...
_Não fui eu... foram as prostitutas. _defendeu-se Dimitro, falando baixo.
Ouvi e parei de beber o leite. Fechei a cara. Houve um breve silêncio, János então se aproximou e tocou-me delicadamente no queixo, erguendo meu rosto. Olhei para ele com os olhos já cheios de lágrimas. Ele enxugou minhas lágrimas e disse em magiar:
_Não chore, Irina. Mesmo agora você tem amigos.
Cheia de dor, afastei-me dele e encostei-me, cabisbaixa, em um pinheiro. Ele se aproximou novamente e senti sua mão afagar meus cabelos. Com voz chorosa, gritei então:
_Saia, vá embora!
_Calma... _respondeu ele, muito amável.
_Vá embora! Por que se importa comigo? Sou uma aberração!...
_Não. _respondeu ele calmamente _Não é, não.
Simplesmente continuei chorando. Ele então me dissuadiu:
_Veja, eu tenho um presente para você...
Fui parando de chorar e voltei-me para trás, para ver que presente era aquele.
Ele estava com uma sacola rota nas mãos. Com um sorriso nos lábios, meteu a mão dentro da sacola e tirou... um espelho!
Olhei para o belo espelho, com moldura de prata, em suas mãos e me aproximei. Tomei rapidamente o espelho de suas mãos e vi meu próprio rosto. Não estava mais branco, azulado, como no dia dos ciganos. Estava pálido sim, mas bem mais natural. Ajeitei meus cabelos com as mãos, voltando a ter vaidade. Sorri... Foi quando notei que meus dentes não estavam longos como as presas de um lobo. Olhei então para János, cheia de felicidade e indaguei:
Olhei para o belo espelho, com moldura de prata, em suas mãos e me aproximei. Tomei rapidamente o espelho de suas mãos e vi meu próprio rosto. Não estava mais branco, azulado, como no dia dos ciganos. Estava pálido sim, mas bem mais natural. Ajeitei meus cabelos com as mãos, voltando a ter vaidade. Sorri... Foi quando notei que meus dentes não estavam longos como as presas de um lobo. Olhei então para János, cheia de felicidade e indaguei:
_Como posso me ver no espelho? Vampiros não podem aparecer no espelho. E meus dentes voltaram ao normal!... Estou sã novamente?... A maldição acabou?!...
János riu e respondeu:
_Você ainda vai descobrir muita coisa, Irina, muita coisa!... Mas... _disse ele, parando de sorrir _você ainda está amaldiçoada. A maldição apenas... se ocultou.
Meu semblante voltou a ficar triste, mas János interveio:
_Mas, pelo menos... sabe agora que não precisará parecer uma fera sempre. Desde que permaneça alegre e aprenda mais e mais. Venha, venha sentar comigo e Dimitru. Trouxe mais presentes e tenho muita coisa a lhe dizer.
Mais calma fui sentar-me com eles e conversar. János puxou de sua sacola um embrulho e o pôs nas mãos de Dimitru dizendo:
_Tome, Dimitru, trouxe para você.
Surpreso, Dimitru sorriu e abriu o embrulho. Era um queijo. Os olhos de Dimitru brilharam e ele apenas ria e olhava para János, como uma criança que acabara de ganhar um brinquedo.
_Vamos, prove! É do bom! _incentivou János.
Dimitru então tirou uma pequena faca escondida na cintura, debaixo de seu casaco e cortou o queijo. Tirou uma fatia da espessura de dois dedos e mordeu. Mastigou sorrindo e agradeceu a János:
_Obrigado, János... Obrigado! Você é muito amigo! _dizia com a boca cheia.
János batia com a palma da mão em seu braço, rindo com seu jeito estranho, mas que me parecia desinteressado e bondoso. Ele então puxou uma garrafa de vinho de sua sacola e falou:
_Tenho mais outra aqui. Hoje vamos comemorar!
Eu e Dimitru rimos como crianças. Naquela tarde, comemos queijo, cantamos, Dimitru tocou alaúde e até bebemos vinho. János me explicou muito sobre astrologia e folgamos até a noite cair, sem que ele nada temesse de nossa parte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário