sábado, 7 de maio de 2011

HIMATION



























A gruta em que Calidora morava era grande, uma verdadeira casa. Tinha camas improvisadas para ela e os filhos, um pequeno fogão feito de pedras e até um grande e belo espelho oval, apoiado sobre uma mesinha, que servia de penteadeira (havia pentes e cosméticos sobre ela). Ela me recebeu gentilmente, mas me criticou:
_Você não deve andar assim, Irina, está horrível!
_Eu sou horrível, sou uma vampira!
_Eu também sou e não estou como você! Venha, vou dar um jeito em você! Mais aqui em baixo, na gruta, há um pequeno lago, você vai tomar um banho!
Antes de descermos, ela ordenou ao filho:
_Dácio, cuide de Eni, ponha ela para dormir. Mamãe vai com Irina aqui no lago.
_Tá, mãe! _respondeu o belo rapazinho.
Calidora então me conduziou por um breve mas tortuoso caminho de pedras e me levou a um belo lago de caverna. Pontas de pedra pendiam do teto e frestas na rocha deixavam entrar raios de luz, que iluminavam o ambiênte.
_Jogue fora estes trapos! Entre na água, volto logo! _ordenou.
Tirei fora meus farrapos e entrei na água fria e esverdeada. Meu último banho fora no dia em que fugira do solar de tio István. A água parecia me acolher carinhosamente, como uma mãe. As lágrimas escorreram de meus olhos. Calidora não tardou a voltar, tranzendo uma pequena trouxa, dois frascos cristalinos _com cerca de um palmo e meio cada um, e que trazíam óleos dentro _mais um manto de lã. Ela sentou-se à beira da lagoa e abriu a trouxa. Dentro havia um pente, uma pinça de depilar, uma tesourinha e uma toalinha branca. Ordenou então:
_Mergulhe a cabeça na água!
Megulhei. Senti a água me envolver toda... Era como um renascimento, um batismo! Me ergui e água escorreu, levando sujeira e dias de dor. Mergulhei de novo e fui escorrendo meus cabelos. Folhas secas, talos de pinho e outras coisas caíam de meus cabelos. À beira do lago, Calidora agachou-se à beira do lago e chamou:
_Venha aqui!
Fui até ela e sentei, mergulhando as ancas na água, dando-lhe as costas. Ela pegou meus cabelos, os escorreu com as mãos e reclamou:
_Por Hecate, quanta sujeira!
Ela então pegou o pente e começou a limpar meus cabelos. Até pedrinhas saíam deles. Depois de um bom tempo livrando-os dos detritos ela mandou eu mergulhar novamente. Mergulhei e comecei a me sentir mais leve. Ela então abriu um dos frascos e ordenou:
_Venha mais para a margem! Fica de pé aqui!
Obedeci, ficando só com os tornozelos debaixo d'água. Ela então pôs um pouco do óleo na mão esquerda e, em seguida, passou em minhas pernas. Era azeite de oliveira. Como uma mãe, ela bezuntou todo meu corpo de azeite. Não havia malícia em seu gesto, nem em meu coração. Quando tocou em meu sexo, ela criticou:
_Você precisa se depilar, heim! Há mais mata entre suas pernas do que fora da caverna!
Simplesmente ri. Ela também criticou minhas unhas:
_Queria virar um animal selvagem, é?!... Olhe só o tamanho dessas unhas! Horríveis! Vou já aparar essas garras de harpia.
Antes de aparar minhas "garras", porém, ela me limpou. Pegou um instrumento semelhante a uma pequena foice _que ela chamava de estrígil _e começou a passar em minha pele, escorrendo azeite e sujeira. Quando acabou a operação, mandou eu mergulhar novamente. Mais um mergulho e todo um peso em forma de sujeira saiu de meu corpo. Ela então pediu para eu dar-lhes as costas novamente. Tirou óleo de sândalo do outro frasco e passou em meus cabelos. Lembrei-me de mamãe. Depois disso, ela lavou e limpou minhas unhas, em seguida as aparou com a tesourinha. Tanto das mãos, quanto dos pés.
Um último mergulho e meu banho estava terminado. Sai da água limpa, pura! Calidora me enxulgou com o manto de lã e, pegando um último pequeno frasco cristalino, passou essência de rosas em mim. O perfume me inebriava, revitalizava. Ela então pegou então a tesourinha e, sem mais demora, começou a aparar os pelos de meu sexo. Em seguida, pegou uma pinça e foi puxando os pelos periféricos. Sua precisão era espantosa, tirava os pelos e passava o lenço umedecido, logo em seguida, com maestria e rapidez. Depois de meu sexo, ela depilou minhas axilas. Passou mais essência de rosas em minha vulva e em minhas axilas e pronto! eu estava de volta ao mundo dos homens! Envolvi-me então com o manto de lã e seguimos de volta ao seu "quarto". Lá, ela abriu uma arca que parecia muito antiga, puxou de dentro uma camisola açafrão e me deu dizendo:
_Tome! Os ciganos me empurraram este tecido e fiz esta himation, não gostei muito, mas acho que ficará bem em você.
Vesti a estranha camisola e ela logo a ajeitou em mim. Rápida e precisa, ela pegou uma fita a arrumou meus cabelos como os dela. Em seguida, me pôs diante do espelho:
_Veja! _disse sorrindo.
Eu estava exótica, mas linda. Sorri, mas as lágrimas logo escorreram de meus olhos. Calidora então beijou-me o rosto sorrindo, enxugou-me as lágrimas e disse:
_Não chore mais, querida! Ainda tenho de maquiar seus olhos...

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