sábado, 19 de março de 2011

JUÍZAS

























Vampiras do filme Drácula, de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola.



Como notara, os sonhos não eram sonhos, mas possessões. Sua intensidade aumentava a cada dia. Para além deles, eu passei a sentir uma espécie de "chamado", uma estranha atração que a floresta exercia sobre mim. Eu sempre gostei da floresta _sobretudo a que fica próxima ao solar de tio István _mas o que sentia agora era uma estranha obsessão. Eu passava horas olhando pela janela de meu quarto a floresta ao longe, com seus pinheiros solenes, seu verdor vivo, que eu sempre achei lindo, mágico!...

Ao cair a noite, a possessão se consumava. Eu não mais sonhava, mas ouvia as vozes delas sussurrando em meu ouvido, em minha mente... Eu corria para a janela e sentia mesmo vontade de voar até a floresta, para encontrá-las. Finalmente, perdi meu juízo. O solar de tio István não possuía fosso, eu poderia descer por uma corda, da janela de meu quarto até o chão, e fugir. Eu sabia que os guardas só vigiavam o portão principal, na entrada. Alucinada, improvisei uma corda com lençois e vestidos. Amarrei uma ponta em minha tesoura de aparar os cabelos e a finquei numa fresta, entre os tijolos de pedra da janela. Joguei a corda janela abaixo e desci por ela. Por pouco não despenquei dali. Meus braços e costas doeram de tanta força que fiz para segurar-me. As paredes ásperas de pedra deixaram alguns arranhões e meus braços e mãos.

Quando toquei o solo, meus sapatos nem sequer pareciam cobrir meus pés, tal era o frio e a aspereza do chão pedregoso. Sem pensar em mais nada, corri rumo à floresta. Não me preocupei nem em levar a capa, desabalei para a floresta sentindo todo o frio da noite cair sobre mim. Parecia um cavalo em disparada, vendo o vapor de minha respiração soprar de minha boca e narinas. Penso que em menos de um quarto de hora alcançei a floresta. Mergulhei sob as árvores e a bruma. A lua cheia no céu iluminava meu caminho em faixos de luz. Corri, corri e corri!... Tinha de encontrá-las, tinha!...

Não me lembro quanto tempo corri pela floresta, talvez uma hora, ou quase isso. Finalmente, cheguei à clareira... e lá estavam elas, iluminadas pela lua. Todas quatro, tal como eu via nos sonhos. Circundadas pela fina névoa, olhavam para mim como juízas. Juízas da vida... e da morte!...

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