
Detalhe de Alegoria da Primavera, de Botticelli.
A vida com meus tios era uma velada prisão. Toda manhã eu tomava a sopa com eles, debaixo de olhares vigilantes. Meus primos já estavam todos casados, o que piorava minha situação. Eles tinham todo tempo do mundo para observar cada passo meu. De fato, eu não podia me mover para lá, ou para cá, sem que os criados comentassem baixinho entre si, ou me seguissem com os olhos. Comecei a perceber que eu não era apenas fonte de desconfiança, eu era um tema recorrente em suas bocas. Pensei comigo "_Será que eles sabem?!"... Um bela manhã, recebi a resposta. Uma criada limpava o chão à porta de meu quarto. Mal sai, ela sussurrou alto o suficiente para eu ouvir:
_Vampira...
A acusação crivou-se sobre meu coração como uma faca afiada. Ela sabia! Sim, ela sabia! Sim, todos ali sabiam sobre meu incesto. Era o único pecado venal que poderia condenar minha alma ao vampirismo. Porém, se eles sabiam... quem lhes contou? Papai jamais se delataria. Primeiro porque não seria louco, segundo porque observei sua carta nas mãos de meus tios. Era curta e concisa, bem no seu estilo. Não era nenhuma confissão.
Sim, alguém lhes contou, mas quem quer que fosse, não contou à minha mãe. Sua atitude de profunda estupefação, quando nos flagrou, deixava evidente que ela fora pega de surpresa. Sendo assim, nossas criadas também não foram, pois contariam à mamãe. Além do que, todas _tanto as criadas, quanto mamãe _estavam duas vezes ocupadas, devido à gravidez de Greta. Quem contou era disciplinado o suficiente para guardar este segredo e usá-lo de forma estratégica. Quem contou... só poderia ser um homem!... Pior, um cavaleiro! Um guerreiro ardiloso. Alguém que sabe atacar sorrateiramente, como uma serpente.
Em minha mente se materializava apenas uma imagem: Traian!... Efeminado, disciplinado, estratégico!... Sim, só poderia ser ele! Ele nos viu, nos flagrou, em algum momento fervoroso, porém tolo, na estrebaria. Enquanto nossos olhos se encontravam cerrados, absortos em beijos. Fomos flagrados por ele, como o animal pequeno e jovem cai nas garras do experiente predador. E como tal, ele soube manter-se em silêncio. Soube ver sem sequer gemer. Soube conter seu ímpeto, como faz uma velha cobra. A mais antiga serpente...
Em minha mente se materializava apenas uma imagem: Traian!... Efeminado, disciplinado, estratégico!... Sim, só poderia ser ele! Ele nos viu, nos flagrou, em algum momento fervoroso, porém tolo, na estrebaria. Enquanto nossos olhos se encontravam cerrados, absortos em beijos. Fomos flagrados por ele, como o animal pequeno e jovem cai nas garras do experiente predador. E como tal, ele soube manter-se em silêncio. Soube ver sem sequer gemer. Soube conter seu ímpeto, como faz uma velha cobra. A mais antiga serpente...
fantástico. ficou com sabor de quero mais ler. personagem novo entrando aí. Irina é uma novela que hipnotiza.
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