Antes de Nicolae ter sido ferido de morte, jamais havia parado para refletir sobre quanto tempo uma pessoa permanece morta, antes de despertar como um vampiro. Descobri naquela fatídica noite, que este tempo era infelizmente longo, pelo menos para a urgência de uma batalha. Perguntei à Vênus, em meu coração, por que os lobos se demoraram em encontrar meu corpo, na noite em que fui condenada? Talvez tivesse de ser assim... Talvez eu tivesse de viver minha condenação. Talvez tivesse mesmo de estar ali, esperando Nicolae despertar, para vingar a morte de papai, para livrar da opressão o nosso povo.
Pungida de dor, não me separei de Nika. Sentada sobre o chão, mantinha sua cabeça deitada sobre meu colo. Afagava seus cabelos, enquanto sentia seu corpo perder o calor pouco a pouco. Ele estava mole e isento de forças. _Meu poderoso Nicolae, como me doía vê-lo e senti-lo assim, destituído da força, do vigor que tanto lhe caracterizava!... _Um rio de lágrimas não parava de escorrer sobre meu rosto, não aceitando tê-lo como um leão abatido, como Sansão sem seus longos cabelos. Meus dedos mergulhavam em seus cabelos castanhos e os penteavam, como que contando as horas até ele voltar.
Foi quando senti, ainda que bem fracamente, seu coração voltar a bater. Sorri. Meus olhos derramaram mais lágrimas que antes. Ri com o rosto marejado. Seus braços então se moveram, como os de uma criança que se assusta com seus sonhos enquanto dorme. Seu coração acelerou... Ele estava retornando!... Afastei então um pouco o corpo, pois sabia que ele se ergueria bruscamente. Mal o fiz, ele se ergueu como alguém que emerge desesperado da água, para não se afogar.
Sentou-se, tentou erguer-se, caiu com o traseiro no chão. Ri. Ele olhava à sua volta assustado. Apressei-me, abracei-o, enchi seu rosto de beijos afaguei seus cabelos e o acalmei:
_Calma! Calma, meu guerreiro! Estou aqui!... A sua Iri está aqui...
Com os olhos arregalados, respirando ofegante, ele indagava desesperado:
_Iri... o que está acontecendo?...
_Calma... _respondi abraçando-o e beijando-lhe o rosto.
_Iri... eu quero sangue!... Eu preciso de sangue!...
_Calma!... _beijei-lhe o rosto novamente _Vou lhe levar até o sangue. Terá todo sangue que precisa, meu Sansão!... Todo sangue que merece!...

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