domingo, 13 de maio de 2012

AMÉM



Subimos então rumo aos portões do castelo. À frente vinhamos eu, Mihail, Nicolae e os capitães da tropa, devidamente montados. Nossa infantaria seguia atrás, a pé. Abaixo do umbral dos portões abertos, Mózes acenou alegremente ao nos ver. Ninguém notou o estado auterado de sua alma. Intempestivo, Nicolae ordenou:
_Székelys!... Atacar!
Gritando, os homens não pensaram duas vezes, avançaram sem exitar! Mal entraram no pátio do castelo, suas espadas ceifaram a vida dos soldados do conde, que acordaram muito tarde do torpor em que estavam imersos. Encontrando pouca resistência, os homens logo procuraram as portas de acesso para o interior da fortaleza. Os soldados de dentro, porém, que não estavam sob meu encantamento, começaram a atirar e lançar setas das janelas. Muitos de nossos foram atingidos e mortos, mas isso não deteve a furia dos que continuavam vivos. Mesmo os feridos esqueciam a dor e continuavam o ataque. 
As primeiras portas foram arrombadas e os homens começaram a entrar. De espada em punho, montado em  seu corceu malhado, Nicolae bradava:
_Isso! Entrem! tomem o castelo!...
Identificando-o como sendo o líder, os soldados do conde começaram a cercá-lo. Os que dele se aproximavam mais, no entanto, eram imediatamente mortos pelos golpes certeiros de sua impiedosa espada. Notando que muitos já acorriam, puxou o freio e fez seu cavalo pisotear o rosto daqueles que vinham pela  frente. Quatro tiveram os rostos amassados. Vendo-o em apuros, fui em seu socorro. Abri caminho com a espada, cortando quantos rostos e pescoços encontrasse pelo caminho. Os que tentavam proteger-se erguendo o antebraço, os tinham decepados. Alcançando-o finalmente, abri as costas de um soldado que tentava derrubá-lo do cavalo. Logo em seguida, ceguei outro que vinha logo atrás, vazando-lhe ambos os olhos com um único golpe.
Porém, neste momento, meu coração apertou, num aviso. Imediatamente olhei para o alto da muralha e avistei um soldado apontando seu mosquete para Nicolae. Meu único reflexo foi gritar:
_Nicolae!!!...
Ele ainda chegou a virar-se e avistar o soldado. O tiro porém saiu imediato e o atingiu entre as costelas, bem próximo à coluna.
_Aaah!.. _gritou ele, contorcendo-se em seguida.
Incendiada pela fúria, puxei a pistola de sua cintura e atirei contra o soldado. Com meus reflexos muito mais aguçados do que os dos comuns mortais, o atingi no olho em que havia mirado, o esquerdo. Ele então tombou de lá de cima e espatifou-se no chão, quebrando o pescoço na queda. Tomei então o freio do cavalo de Nicolae e o conduzi para fora do castelo. A turba formada por nosso próprio exército nos retardou um pouco a saída. Conduzi Nicolae para longe da batalha, para uma pequena clareira. Lá chegando, o desmontei e deitei no chão. 
_Nica! Nica!... _gritava desesperada.
Tremendo, respirando com dificuldade e golfando sangue pela boca, ele respondeu já pálido:
_Irina... eu estou morrendo...
_Não... Não... Nããããõoo!!!... _gritei sem controle.
O abrecei forte, sentindo sua respiração puxar o ar com força. De repente... uma idéia surgiu em minha mente. Meu coração não sentiu nenhuma dúvida... Meus olhos ficaram vidrados e minhas presas se insinuaram... Sem mais pensar, cravei-as em seu  pescoço. Ele ainda soltou um leve gemido. Suguei  com força, para que ele espirasse rápido. Quando senti suas forças se esvairem, o larguei. Deitei seu corpo sem vida na terra. Olhei para ele então... para seu rosto pálido e seus olhos fechados, como se dormisse um sono profundo. As lágrimas desciam de meus olhos e se misturavam ao sangue que banhava minha boca. Um pensamento me consolava: "_Este era seu destino... Este era seu destino... Que assim seja... Amém!".

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